Com o haical ‘Radiance’, Naomi Kawase ganha o prêmio da fé em Cannes

Com o haical ‘Radiance’, Naomi Kawase ganha o prêmio da fé em Cannes

Rodrigo Fonseca

27 Maio 2017 | 16h14

RODRIGO FONSECA
Tratado sempre como uma premiação coadjuvante, por estar ligada a um simbolismo religioso de celebração da fé na Humanidade, o laurel do Júri Ecumênico do Festival de Cannes ficou, este ano, com um haical: Radiance, da japonesa Naomi Kawase. Mais do que uma história de paixão, ao retratar o enlace entre uma jovem cineasta e um fotógrafo que está perdendo a visão, o novo filme da diretora de Sabor da Vida (2015) é um ensaio sobre transcendência pela imagem e a importância do audiovisual para a preservação de um tempo e de um ethos. “Fiz um filme que encarasse as trevas para provar que, mesmo entre elas, pode existir a esperança”, diz a diretora, premiada aqui em 2007 por A Floresta dos Lamentos. A leveza de seu roteiro e a delicadeza com que estabelece uma relação entre o sentido da visão e a arte de filmar podem render a ela a Palma de Ouro, que vai ser entregue amanhã. Se Naomi levar o troféu – é sabido o respeito do atual presidente do júri, Pedro Almodóvar, por sua obra – ela será a segunda mulher a ganhar a Palma em 70 anos de festival, sendo a neozelandesa Jane Campion a primeira, tendo sido laureada por O Piano (1993). Lynne Ramsay (com You Were Never Really Here) e Sofia Coppola (O Estranho Que Nós Amamos) também estão na contenda.