Com ‘Ad Astra’, James Gray pode ir ‘aonde nenhum cineasta jamais esteve’

Com ‘Ad Astra’, James Gray pode ir ‘aonde nenhum cineasta jamais esteve’

Rodrigo Fonseca

05 de junho de 2019 | 09h56

James Gray em ação: “Busca pelo genuíno”

Rodrigo Fonseca
Por trás do trailer de “Ad Astra”, que vem bombardeando a internet desde o alvorecer desta quarta com imagens de Brad Pitt em ação no espaço sideral, há uma máxima estética que, de 1994 para cá, pavimenta uma das mais sólidas obras autorais do cinema americano: “Um bom filme é aquele que é honesto consigo mesmo em sua busca para ser uma narrativa genuína”. O responsável por essa reflexão é o diretor nova-iorquino James Gray, hoje com 50 anos, que fez fama no início dos anos 1990 ao conquistar o Leão de Prata do Festival de Veneza com “Fuga para Odessa”, dirigindo Tim Roth e Vanessa Redgrave. Lançou mais quatro anos nos últimos 25 anos: “Z: A Cidade Perdida” (2017), “Era Uma Vez em Nova York” (2013), “Amantes” (2008),   “Os Donos da Noite” (2007) e “Caminho sem Volta” (2000). Há tempos, ele e Pitt se namoram para combinarem talentos. O “beijo” enfim aconteceu, tendo o produtor Rodrigo Teixeira e sua RT Features como cupidos, no projeto de viagem estelar a ser lançado em 20 de setembro, via Fox – já há quem aposte numa vaga para ele na briga pelo Leão de Ouro. Os rugidos serão ouvidos pelo Lido veneziano de 28 de agosto a 7 de setembro. A presença do longa-metragem em competição ampliaria o já sólido prestígio de Gray como analista da solidão em périplos de figuras que desbravam situações de risco (físico ou psicológico) ligadas a alguma redenção.

“Minha sinceridade não costuma gerar risadas, pois atrás de cada piada, em um ambiente de cinema, existe uma verdade: a minha é a observação e o aprendizado”, disse Gray ao Estado no Festival de Marrakech, no qual foi presidente do júri. “Um dos grandes diretores dos anos 1960, o inglês John Boorman, costumava carregar um caderninho consigo ao cinema para tomar nota dos filmes que via. Fazia isso até quando era júri. Cinema é questão de estudo”.

Produzido pela RT Features e mais uma gama de talentos americanos, “Ad Astra” toma seu título emprestado da citação em latim “per aspera ad astra”, ou “por caminhos ásperos até os astros”. Pitt vive um astronauta que viaja cosmo adentro para investigar o paradeiro de seu pai (Tommy Lee Jones) e de um projeto ligado a explorações de sinais de vida alienígena. “Meu foco está no fardo cultural que oprime os personagens”, disse Gray, que escalou Liv Tyler, Ruth Negga, John Ortiz e Donald Sutherland para o elenco.

No leme da fotografia de “Ad Astra” está o suíço Hoyte Van Hoytema, de “Ela” (2013) e “Dunkirk” (2017).

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