Cinema francês em múltiplas telas da 40ena

Cinema francês em múltiplas telas da 40ena

Rodrigo Fonseca

30 de março de 2020 | 17h43

“Almoço de Domingo”, de Céline Devaux, é um dos 50 curtas-metragens selecionados pela Unifrance para o MyFrenchFilmFestival, em sua edição #stayhome

Rodrigo Fonseca
Tá tendo Maratona Louis Malle no MUBI, com “Calcutá” (1969), “Trinta Anos Esta Noite” (1963) e outras gemas, em meio a uma expansão do cinema francês, clássico e contemporâneo, pelas fronteiras dos streamings num movimento de #fiqueemcasa (#stayhome) em reação à 40ena, em vigília contra o avanço do coronavírus. No Globoplay, num fino pacote com a distribuidora Imovision, tem Claire Denis e seu “Minha Terra, África” (“White Material”, 2009), com Isabelle Huppert, que concorreu ao Leão de Ouro de Veneza. Lá, tem ainda o premiadíssimo drama sobre a peleja contra o HIV “120 Batimentos Por Minutos” (Grande Prêmio do Júri de Cannes em 2017). Na Netflix rola “Pelas Ruas de Paris”, de Elisabeth Vogler, com Noémie Schmidt. No Amazon Prime tem “Anna”, de Luc Besson. Mas a iguaria mais exótica está numa ação www da Unifrance (o mais ativo órgão de difusão audiovisual da Europa), o MyFrenchFilmFestival, onde foram disponibilizados 50 curtas-metragens feitos em Paris, Marselha, Nice e arredores. Basta acessar o link MyFrenchFilmFestival.com. No ar desde sexta-feira, permanecendo na rede até 27 de abril, uma saborosa seleta de pequenas grandes histórias aposta em desenhos animados, tramas de guerra e dramas nas raias do documental, selecionados com base no que os franceses produziram de melhor em termos de narrativas de até 50 minutos. “Pelo Menos” (“Pile Poil”), ganhador do troféu César, em fevereiro, vem sendo um dos destaques do cardápio, por seu ataque ao sexismo, torcendo fronteiras de gênero, ao falar da relação entre um açougueiro e sua filha. A direção é da dupla Lauriane Escaffre e Yvonnick Muller. Outro destaque é “Almoço de Domingo”, de Céline Devaux, exibido em Cannes. Mas há muitos outros temas em foco, com destaque para a obra-prima “Ce N’Est Pas Um Film De Cowboys”, de Benjamin Parent, no qual dois colegas de colégio conversam sobre “O segredo de Brokeback Montain” (2005), de Ang Lee, revendo as certezas de ambos sobre orientações sexuais e sobre o western clássico.

Entre os 50 títulos que a Unifrance selecionou, confira, o mais rápido que puder, as animações “A Noite dos Sacos Plásticos”, de Gabriel Harel; “Le Silence Sous L’Écorce”, de Joanna Lurie; “Le Rêve De Sam”, de Nölwenn Roberts; e “Mademoiselle Kiki et Les Montparnos”, de Amélie Harrault. Outras gemas a serem garimpadas: “C’Est à Dieu Qu’Il Faut Le Dire”, de Elsa Diringer; “La Traction Des Pôles”, de Marine Levéel; “Errance”, de Peter Dourountzis (com o brilhante ator Paul Hamy); “Judith Hôtel”, de Charlotte Le Bon; e “Fais Croquer”, de Yassine Qnia.
“Esperamos de todo o coração que esses curtas permitam a todos aqueles que estão confinados e que atravessam momentos de dúvida e de angústia evadir-se, entreter-se, refletir, informar-se, maravilhar-se, rir-se, abrir uma janela – mesmo virtual – sobre o mundo, para lutar contra o tédio e recordar que o cinema e a cultura podem ter um papel benéfico nos períodos os mais escuros”, diz o comunicado da chefia da Unifrance, a diretora-geral Daniela Elstner e o presidente Serge Toubiana. “Mais do que nunca neste momento de crise profunda, estamos convencidos de que o cinema está ligado”.


#40ena #Unifrance #MUBI #Globoplay #MyFrenchFilmFestival #AmazonPrime #Netflix

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.