Cine Joia faz esquenta de Cannes, com cult de Don Siegel

Cine Joia faz esquenta de Cannes, com cult de Don Siegel

Rodrigo Fonseca

09 Maio 2017 | 14h19

RODRIGO FONSECA
Entre todos os títulos em concurso pela Palma de Ouro deste ano, nenhum chega cercado de mais controvérsia do que O Estranho Que Nós Amamos (The Beguiled), de Sofia Coppola, não apenas pelo lado alegórico que aporta à discussão do feminismo e do empoderamento das mulheres, mas por ser uma releitura de uma trama já que rendeu, nas mãos do mestre Don Siegel, uma obra-prima maldita. Amaldiçoada nas bilheterias, mas cultuada entre os críticos e os fãs de Clint Eastwood, que nos dá ali um de seus melhores desempenhos como ator. Na noite desta terça-feira, no Rio, o “estranhode Siegel vai propiciar uma espécie de “esquenta” para Cannes, com uma projeção do longa-metragem, às 20h30m, no Cine Joia, em Copacabana, na Sessão do Cramulhão, seguida de debate mediado pelo crítico Mario Abbade com Filippo Pitanga e o P de Pop. Antes será exibido o premiado curta carioca O Coelho, dirigido por Marcello Sampaio.

Com base em romance de Thomas Cullinan sobre os bastidores da Guerra Civil dos EUA, O Estranho Que Nós Amamos põe Eastwood no papel de um soldado ianque que, ferido em batalha, acaba sendo resgatado por jovens de um internato feminino do Sul, onde vira alvo do desejo e da histeria de suas anfitriãs. O filme foi lançado em meio ao tufão da Nova Hollywood, o movimento criado pela Easy Rider Generation, uma turba de diretores, roteiristas e atores antenados com as transformações sociais e políticas da América. À época, quando o filme naufragou no gosto popular, por sua estranheza, nas raias da psicose, o astro falou: “Estão acostumados a ver Al Pacino e Dustin Hoffman em papéis de perdedores, e, de mim, espera-se o contrário: a vitória, a glória”.