Ciência hoje… e sempre… no Curta!

Ciência hoje… e sempre… no Curta!

Rodrigo Fonseca

09 de outubro de 2020 | 14h43

A vulcanóloga Rosaly Lopes compartilha suas pesquisas com a TV na série da Kinopus

Rodrigo Fonseca
Responsável por um dos filmes mais inquietantes do país nos últimos cinco anos, o western sobre rodas “Leste Oeste” (2016), a produtora Kinopus Audiovisual, do Paraná, tem um projetaço na mão para lançar na TV, no primeiro semestre de 2021: “Cientistas Brasileiros”, uma série composta por 5 episódios, de 52 minutos cada. Com estreia exclusiva no canal Curta!, o projeto é focado na trajetória de nomes importantes da produção científica nacional, de ontem e de hoje: Bartolomeu de Gusmão (1685-1724), Oswaldo Cruz (1872-1917), Nise da Silveira (1905-1999), Rosaly Lopes e Marcelo Gleiser. Roteiro e direção são de Rodrigo Grota, responsável por curtas antológicos como “Booker Pittman” (2008). A produção do seriado é do bamba Guilherme Peraro, sendo a pesquisa e a assistência de direção de Roberta Takamatsu. Para a consultoria científica, a KA convidou Ivan Gláucio Paulino Lima, da National Aeronautics and Space Administration (NASA). O visual de excelência que cada tomo dessa aventura pela Ciência promete ter se deve à direção de fotografia de Anderson Craveiro & Guilherme Gerais e à direção de arte de Julio Vida. Quem assina a montagem: Raquel M. Deliberador e João Vitor Moreno.
Arrigo Barnabé, Fernando Alves Pinto, Gustavo Bertin e Simone Iliescu, que já atuaram em projetos da Kinopus, também irão participar da série. No papo a seguir, Grota fala sobre suas expedições à Física, à Química, à Biologia, ao Infinito e ao Além.

Quem são os cientistas escolhidos?
Rodrigo Grota:
A série irá abordar em sua primeira temporada a trajetória de cinco personalidades: Bartolomeu de Gusmão (1685-1724), Oswaldo Cruz (1872-1917), Nise da Silveira (1905-1999), Rosaly Lopes e Marcelo Gleiser. O nosso objetivo é resgatar a história da Ciência brasileira, situar a sua importância em um contexto internacional, além de estimular jovens a ingressarem nessa área. Optamos por um recorte histórico, pois, de forma geral, o brasileiro não conhece a história do nosso país, e nem da sua respectiva produção científica. Com quantos cientistas nós temos contato durante a nossa infância e adolescência? O próprio Marcelo Gleiser nos contou que não chegou a conhecer nenhum cientista quando era criança. Por isso, o novo objetivo é mostrar a importância das descobertas desses cientistas, como é o seu dia-a-dia, e também como foi a sua trajetória para chegar a obter um reconhecimento internacional. A Rosaly Lopes, por exemplo, é uma vulcanologista interplanetária que está há 30 anos na Nasa. Nos EUA, lidera projetos de exploração espacial, está no Guinness, publicou livros com prefácios de Arthur C. Clarke e James Cameron, mas ainda é pouco conhecida no Brasil.
O que motivou essa investigação da ciência brasileira?
Rodrigo Grota:
O primeiro projeto da Kinopus relacionado a esse tema foi a série “Brincando com a Ciência”, dirigida pela Roberta Takamatsu. A série estreou na TV Cultura em 2017, mas, desde 2015, temos desenvolvido projetos nessa área. No caso da série “Cientistas Brasileiros”, queremos mostrar que, no decorrer da nossa História, há uma produção com reconhecimento internacional sendo realizada por cientistas nacionais. Nesse sentido, convidamos o astrobiólogo Dr. Ivan Gláucio Paulino Lima, que mora nos EUA há alguns anos, para ser nosso Consultor Científico. Ivan Lima é cientista do Instituto Blue Marble no Centro Ames de Pesquisas da NASA. É o microbiologista responsável pelos experimentos no satélite EuCROPIS, da missão espacial PowerCell, e em projetos de astrobiologia e biologia sintética na NASA. Ele justifica a importância da série da seguinte forma: “A série ‘Cientistas Brasileiros’ chega em um momento crítico na sociedade brasileira, onde existe um distanciamento muito grande entre o processo científico e a população geral. Ainda que haja um fascínio pelas descobertas científicas e seus desdobramentos tecnológicos, a figura do cientista é vista muitas vezes como algo distante e difícil de atingir. Ao oferecer um retrato da realidade de importantes cientistas brasileiros, mostrando seus caminhos e possibilidades, pautada pelos seus legados e contribuições, a obra cumpre um importante e necessário papel na popularização da ciência, estimulando a nova geração a trilhar carreiras científicas, e contribuindo para o letramento científico da sociedade”.

Que caminhos de pesquisa nossos cientistas melhor trilharam?
Rodrigo Grota:
É difícil resumir ou restringir esses caminhos de pesquisa, pois, em nossa série, lidamos como temas muito variados. O que conseguimos notar em comum são algumas qualidades presentes nos nossos cinco biografados: todos foram pioneiros em sua área de pesquisa, atualizaram seus estudos com o que havia de mais importante no contexto internacional, e todos precisaram encontrar formas de resistir e dar continuidade às suas pesquisas. É um fato notório que o Estado brasileiro nem sempre apoia a Ciência. Nesse sentido, a luta e perseverança dos nossos cientistas nos remetem à mesma persistência e amor pelo trabalho que encontramos na maior parte das pessoas que trabalham com Cultura e Educação no Brasil. Nesse sentido, acredito que essas três áreas se complementam e formam a base de um conhecimento humanístico essencial para o nosso convívio em sociedade e com o meio ambiente.
Que linha narrativa desenha a série?
Rodrigo Grota:
O alvo da série é composto por pessoas das mais variadas idades interessadas em ciência. Dentro desse público amplo, queremos muito também atingir uma audiência jovem, de 12 a 30 anos: pessoas que talvez se interessem em se tornar cientistas profissionais. Dessa forma, a linha narrativa desenhada pela série foi construída com o objetivo de traduzir experiências científicas para um público bem amplo. Queremos apresentar conceitos teóricos e complexos de forma leve e acessível, mesclando entrevistas, animações, imagens de arquivo e reconstituições ficcionais da trajetória dos nossos biografados. No caso específico de um episódio dedicada à vulcanologista Rosaly Lopes, por exemplo, inserimos imagens cedidas pela Nasa das missões espaciais que ela coordenou, revestindo a série de um aspecto documental e ilustrativo muito precioso. Mostramos também o ambiente de trabalho dela no Jet Propulsion Laboratory (JPL) de Pasadena, na Califórnia, assim como mostramos o dia a dia do Marcelo Gleiser no Dartmouth College, na Costa Leste, nos EUA.

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