Christoph Waltz estreia na direção em Tribeca

Christoph Waltz estreia na direção em Tribeca

Rodrigo Fonseca

25 de abril de 2019 | 15h36

O astro de “Bastardos inglórios” estrela e dirige “Georgetown”: aplinismo social em foco

Rodrigo Fonseca
Duplamente laureado com o Oscar de melhor coadjuvante, por “Bastardos inglórios” (2009) e “Django livre” (2012), o austríaco Christoph Waltz pode surpreender o Festival de Tribeca 2019 neste fim de semana, provando que sabe dirigir tão bem quanto atua: neste sábado acontece a primeira projeção pública do primeiro trabalho do astro como cineasta, “Georgetown”. É uma comédia de humor cítrico, com nesgas de drama, sobre um alpinista social. Ele divide as telas com Vanessa Redgrave. É o título mais esperado do evento, que foi criado em Nova York há 19 anos, na esteira do trauma do 11 de Setembro, tendo Robert De Niro como patrono. A programação, competitiva, vai de 24 de abril a 5 de maio Este ano tem terror com Haley Bennett (“Swallow”, sobre uma grávida que engole objetos estranhos), tem Margot Robbie atacando de ladra de bancos (“Dreamland”) e tem Jamie Bell interpretando um neonazista (“Skin”). Chama atenção ainda “American woman”, thriller com direção da produtora Semi Chellas; “What’s My Name: Muhammad Ali”, o documentário de Antoine Fuqua sobre o mítico boxeador; e “A day in the life of America”, do ator Jared Leto, com imagens registradas nas 50 unidades federativas dos EUA.

p.s.: Zapeando o cardápio do Telecine Now já é possível encontrar a investigação de Wim Wenders sobre o Altíssimo: “Papa Francisco, um homem de palavra”, que já faz parte da grade do canal na TV. Dirigido pelo místico cineasta alemão logo após a produção de “Sal da Terra” (codirigido por Juliano Salgado), que lhe valeu uma indicação ao Oscar, o longa-metragem estreou em Cannes, na disputa pelo troféu L’Oeil d’Or. Sua narrativa investigativa dribla todas as possíveis ciladas religiosas e faz uma reflexão pautada em um único credo: a fé na solidariedade. Longe de ser uma propaganda cristã, a produção, com o selo da Universal Pictures, aposta na dialética, tirando o pontífice de qualquer zona de conforto, falando sobre casos de pedofilia entre padres, machismo, homoafetividade e a situação dos refugiados políticos. “O mundo está submisso à intolerância, o que me faz crer no amor como um balão de oxigênio para estes tempos”, disse Wenders à Berlinale, quando finalizava o projeto.

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