Cheiro de ‘Alfazema’ em Festival de Comédia

Cheiro de ‘Alfazema’ em Festival de Comédia

Rodrigo Fonseca

08 de abril de 2021 | 13h56

Shirley Cruz descobre que confete é um pedacinho colorido de saudade em “Alfazema”

Rodrigo Fonseca
Rolando desde o dia 6 online, na URL www.festcomico.com.br, o Festival Brasileiro de Cinema Cômico é um achado na triagem da diversidade do humor nacional, apostando com especial afeto no formato curta, garimpando o melhor dessa metragem no país, o que justifica, por todas as (boas) razões a exibição de “Alfazema”, de Sabrina Fidalgo. No pacotão trançado sob a curadoria de Isabel Veiga, Flavia Candida, Alice Name-Bomtempo e Vitor Medeiros, o filme de Sabrina Fidalgo entrou na Mostra Fluminense, na seção Hoje É Dia de Rock, Bebê. O curta mais recente da realizadora de “Rainha” (2016) dá um banho de confete, de axé, de afirmação racial negra e de empoderamento feminino por onde passa. Em 2019, ele papou o Candango de melhor direção em Brasília. Shirley Cruz tem uma atuação zépelintrica na pele de uma foliã visitada por entidades de diversas potências e índoles em meio ao Carnaval, do Bem, do Mal e Deus (ou Deusa), vivido com brilhantismo pela atriz e poeta Elisa Lucinda. Vale lembrar que Sabrina vai participar de um imperdível painel, nesta quinta, às 21h30, na 2ª edição do Fest Mulheres + Inffinito. Ela vai papear com Adriana L Dutra, Carla Camurati, Cibele Amaral, Júlia Rezende e Susanna Lira. O rota pro papo está na URL: www.inff.online.
Entre os demais curtas do Festival de Comédia, destacam-se ainda “Xanatopia”, de Marina Lordelo e Laize Ricarte (BA); “Meio Filme de Família. Meio Filme de Viagem”, de Pedro Riera (SP); “Em Cima do Muro”, de Hilda Lopes Pontes (BA); “Ela Que Mora No Andar De Cima”, de Amarildo Martins (PR); “Em Caso de Fogo, Pegue o Elevador”, de Fernanda Reis (RS); e “A Retirada Para um Coração Bruto”, de Marco Antonio Pereira (MG).

Cena de “Vendo ou Aluguel”

Na seara dos longas-metragens, o repertório do festival se concentra sobre a obra da carioca Betse de Paula, laureada com 11 troféus Calunga no Cine PE, em 2013, com “Vendo ou Alugo”. Consagrada em curtas nos anos 1980 e 90, ela estourou na Retomada com “O Casamento de Louise” (2001), tendo inaugurado o Festival de Brasília de 2002 com o delicioso “Celeste & Estrela”, com Dira Paes e um inspiradíssimo Fabio Nassar. Em paralelo à sua trajetória pelas veredas do riso, Betse tem ainda um repertório de documentários, como “Revelando Sebastião Salgado” (Prêmio Especial do Júri em Gramado em 2013) e “A Luz de Mário Carneiro” (Prêmio de Montagem em Brasília, em 2020). A pergunta do P de Pop pra Betse foi:
Como é que a sua relação com o humor influencia a sua experiência com o documentário e como sua vivência documental influencia sua maneira de lidar com a comédia?
A resposta: “É sobretudo na questão do ponto de vista do narrador, num jeito de lidar com a realidade com alguma leveza. ‘Desarquivando Alice Gonzaga’, que está no festival, mostra os arquivos da Cinédia a partir do abrir e fechar de gavetas pela filha de Adhemar Gonzaga, Alice Gonzaga. A câmera agitada capta a agitação natural de Alice e seu entusiasmo em resgatar a memória do pai. O documentário não deixa de ser uma narrativa construída e uma recriação da realidade. Documentário e ficção falam de uma coisa só, da vida”, explica a diretora. “Na ficção, o diretor tem mais controle da história e da filmagem. Eu diria que a realidade precede o roteiro. Muito da direção de atores é retirada da observação cotidiana das ruas, um diretor está sempre filmando, assim como um roteirista está sempre escrevendo”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.