‘Chavalas’, uma iguaria espanhola nas telas

‘Chavalas’, uma iguaria espanhola nas telas

Rodrigo Fonseca

16 de setembro de 2021 | 03h16

Amigas se reencontram em “Chavalas”,

Rodrigo Fonseca
Em contagem regressiva para o 69º Festival de San Sebastián começar, nesta sexta, com “One Second”, de Zhang Yimou, sedento por produções catalãs como “Maixabel”, o cinema espanhol curte a expectativa da estreia de “Madres Paralelas”, o novo Almodóvar, que vai ser lançado comercialmente em outubro, fortalecido pelo prêmio de melhor atriz a Penélope Cruz, em Veneza, no sábado. Até lá, o país curte outras produções locais populares, como é o caso do agridoce “Chavalas”, de Carol Rodríguez Colás. É um tocante estudo sobre sororidade e sobre o cortar de raízes. Na trama, a fotógrafa Marta (Vicky Luengo), acostumada ao universo cosmopolita da arte holandesa e da cena cultural do centro de Barcelona, vê-se obrigada a voltar ao bairro operário onde cresceu, Cornellà de Llobregat. Lá vai se reconectar com suas amigas de adolescência e reviver saudades. Mas seu principal obstáculo será se livrar dos ranços que adquiriu na vida distante do lar.

Acerca de “Madres Paralelas”, o P de Pop encontra opiniões muito truncadas, pois Veneza não foi unânime a Almodóvar. Com esse novo longa, o cineasta regressou ao pódio que lhe garantiu o passaporte para o estrelato mundial, 33 anos atrás. Foi lá que o espanhol entrou pela primeira, e única vez, em disputa pelo Leão de Ouro. Concorreu com um tal de “Mulheres À Beira De Um Ataque De Nervos” e saiu da terra das gôndolas, em 1988, com o prêmio de melhor roteiro e a promessa de se tornar o pilar do melodrama nas décadas seguintes. Na ocasião aquela comédia – o oitavo longa-metragem dos 23 que dirigiu de 1978 pra cá – rendeu ao realizador de 71 anos uma bilheteria estimada em US$ 7 milhões – algo raro, à época, prum filme egresso da Espanha. Onze anos depois, “Tudo Sobre Minha Mãe” daria a ele a consagração autoral definitiva, um Oscar de melhor filme estrangeiro e um faturamento de US$ 67 milhões na venda de ingressos. É tudo o que se espera da nova incursão de Almodóvar ao universo materno, o primeiro trabalho dele desde os anos 1980 a brigar por um Leão dourado. Previsto para estrear no dia 8 de outubro em seu país de origem e no Natal nos EUA, o longa é encarado como um potencial ímã de Oscarr, para o realizador e para suas atrizes: Penélope Cruz e Milena Smit.

Em 2011, quando exibiu “A Pele Que Habito” na briga pela Palma de Ouro, Almodóvar falou de “Madres Paralelas” pela primeira vez, definindo-o como um “Dom Quixote da maternidade”. Na trama, duas mulheres de idades e classes sociais diferentes dão à luz no mesmo dia. Janis (Penélope) está radiante com a chegada de seu bebê. Mas Ama (Milena) não sente a mesma alegria, por ser uma adolescente que engravidou sem estar preparada. As duas vão trocar experiências e firmar uma amizade que, anos depois, há de detonar um processo doloroso.

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