Chadwick Boseman 4ever

Chadwick Boseman 4ever

Rodrigo Fonseca

29 de agosto de 2020 | 13h16

Rodrigo Fonseca
Vácuo gigante é esse deixado pela perda de Chadwick Boseman, morto ontem de câncer de cólon, após uma trajetória invejável como ator, como instrutor de arte dramática e como realizador, tendo dirigido os curtas “Heaven” (2012) e “Blood Over a Broken Pawn” (2008). Há um filme inédito com ele e Viola Davis – “Ma Rainey’s Black Bottom”, de George C. Wolfe – pra ser lançado até o fim do ano pela Netflix, onde é possível conferir uma de suas melhores atuações: “King: Uma História de Vingança”. No Amazon Prime, rola o thriller “Crime Sem Saída” (“21 Bridges”, 2019), no qual propõe o fechamento das pontes de saída de Nova York na caça a um assassino. O P de Pop encontrou o ator pessoalmente no set do “Pantera Negra”, em Atlanta, em 2017. À época, ele contou à imprensa “neste uniforme há todo um simbolismo político, uma vez que ele traduz a realidade de uma África de pele escura onde tudo dá certo, onde o progresso e a prosperidade nos cercam. É uma forma de reposicionar a representação da África no cinema”, disse o ator, que começou a carreira no audiovisual em 2003, na TV, e, logo chamou atenção ao viver o jogador de basebol Jackie Robinson no sucesso “42: A História de uma Lenda” (2013). Pouco depois, foi viver o rei do soul em “Get on Up: A História de James Brown”, de 2014. Ali, atraiu os olheiros da Marvel, que o escalaram para ajudar o Homem de Ferro em “Capitão América 3: Guerra Civil” (2016), numa cruzada de vingança contra o Soldado Invernal. Chadwick, nas filmagens de “Black Panther”, foi receber os jornalistas cansado, pois o diretor Ryan Coogler exigia de seu elenco múltiplos takes. “Ele filma, filma, filma, sem dar muito detalhe, mas sabe bem o que quer”, disse o ator, que entra para a História como um símbolo de inclusão, vitaminado por seu desempenho em “Destacamento Blood”, de Spike Lee, lançado este ano no big N. Num cinema como o de Hollywood, onde a loquacidade das palavras por vezes soterra a aposta no poder comunicativo da imagem, Boseman se impôs como um criador capaz de fazer do silêncio e do gestual uma ferramenta de construção de transbordamento.

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