Catherine Deneuve mobiliza cinemas de Cannes em sessões pré-festival

Catherine Deneuve mobiliza cinemas de Cannes em sessões pré-festival

Rodrigo Fonseca

13 de maio de 2019 | 10h40

Rodrigo Fonseca
Na véspera de a 72 edição do Festival de Cannes começar, uma das maiores divas do cinema francês, Catherine Deneuve, hoje com 75 anos, é a estrela local que ocupa as telas das salas de exibição comercial da cidade, com um filme que anda eriçando ânimos na Côte d’Azur: o misto de thriller e dramalhão “L’Adieu à la nuit”. A produção, exibida fora de concurso na Berlinale, em fevereiro, é assinada pelo respeitado André Téchiné (de “As testemunhas”), raspando na discussão sobre fundamentalismos políticos islâmicos. Numa atuação formidável, Catherine é uma criadora de cavalos, num rancho do interior, que recebe a visita de seu neto, Alex (Kacey Mottet Klein), para o que parece ser uma despedida. O rapaz diz a família que está indo para o Canadá. Mas Muriel, a personagem de Catherine, logo se dá conta de que há algo torto nesta história, uma vez que o jovem converteu-se ao Islã e faz disso uma bandeira de revanchismo.

“Existe uma inteligência inerente ao tempo, e às cacetadas da vida, inegável nas ações dessa mulher discreta que Muriel é. Mas existe também muita tolerância em seus atos. Tolerância que dá lugar à apreensão”, disse a veterana atriz em Berlim, sem jamais criticar as escolhas éticas dos signatários das causas do Islã.

Téchiné é o primeiro a ressaltar a posição sem julgamentos morais de “L’Adieu à la nuit”. “O que mais me interessa aqui é estudar as reações dessa mulher ligada à terra, ao campo, e ver como tudo ao seu redor muda. A curiosidade é saber o que ela pode fazer para salvar o neto”. O cineasta confiou à trilha sonora a Alexis Rault, que apresenta uma partitura memorável.

A partir de quinta, a programação dos cinemas de Cannes e de toda França muda em função das atrações de Cannes, começando pela inclusão de “The dead don’t die”, longa de abertura do festival, na programação: é uma comédia de zumbis com Bill Murray, Tilda Swinton, Adam Driver e Iggy Pop no elenco. Quem pilota a direção é Jim Jarmusch (“Paterson”), carregado de sua picardia filosófica habitual.

Eis a lista dos 21 concorrentes à Palma de Ouro de 2019

“The dead don’t die”, de Jim Jarmusch (filme de abertura)
“Les Misérables”, de Ladj Ly
“Bacurau”, de Juliano Dornelles e Kléber Mendonça Filho
“Atlantique”, de Mati Diop
“Sorry we missed you”, de Ken Loach
“Little Joe”, de Jessica Hausner
“Dolor y Gloria”, de Pedro Almodóvar
“The Wilde Goose Lake”, de Diao Yinan
“La Gomera”, de Corneliu Porumboiu
“A hidden life”, de Terrence Malick
“Portrait de la jeune fille em feu”, de Céline Sciamma
“Le jeune Ahmed”, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
“Frankie”, de Ira Sachs
“Once upon a time in Hollywood”, de Quentin Tarantino
“Parasite”, de Bong Joon Ho
“Matthias et Maxine”, de Xavier Dolan
“Roubaix, une lumière”, de Arnaud Desplechin
“Il traditore”, de Marco Bellocchio
“Mektoub, my love: Intermezzo”, de Abdellatif Kechiche
“It must be Heaven”, de Elia Suleiman
“Sibyl”, de Justine Triet

Após a premiação, dia 25 de maio, será projetada a comédia motivacional “Hors norme”, de Éric Toledano e Olivier Nakache (dupla que vendeu 20 milhões de ingressos com “Intocáveis”, em 2011), com Reda Kateb e Vincent Cassel vivendo um par de professores especializados na inclusão de alunos com autismo. Este ano, a Palma de Ouro Honorária será entregue a Alain Delon, ator de 83 anos que atravessou seis décadas da História fazendo filmes. Ele filmou de 1957 a 2012. Seu tributo será no dia 19, com direito à sessão do aclamado “Cidadão Klein”, de Joseph Losey, laureado com o César, o Oscar francês, de melhor filme, em 1977. No dia 24, às vésperas do encerramento de sua programação, Cannes recebe Sylvester Stallone para uma homenagem pelo conjunto de sua carreira como astro, produtor, diretor e mito do cinema de ação, com direito a uma projeção de gala de “Rambo – Programado para Matar” (1982) em cópia 0KM. O evento conta ainda com a exibição de trechos inéditos de “Rambo – Last blood”, seu novíssimo trabalho, ainda em finalização, que estreia em setembro.

Nesta segunda foi anunciado que “Boyz’n the hood” (1991) vai ser exibido nas areias do Cinéma de la Plage, em tributo ao realizador John Singleton, morto no dia 28, aos 51 anos. Ainda na praia, num telão armado diante de uma série de cadeiras de sol, vão ser projetados “O tigre e o dragão” (2000), de Ang Lee; uma cópia novinha do drama musical biográfico “The Doors” (1991), com Val Kilmer possuído por Jim Morrison (1943-1971); e “Easy Rider – Sem destino” (1969), que comemorará seus 50 anos com a presença de Peter Fonda no balneário.

A diversão está só começando.  

 

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