Casanova renasce nas lentes de Jacquot

Casanova renasce nas lentes de Jacquot

Rodrigo Fonseca

10 de dezembro de 2019 | 12h59

Rodrigo Fonseca
Estudioso dos efeitos devastadores que o desejo, esse moleque teimoso, pode ter sobre as relações humanas, o francês Benoît Jacquot põe a caretice dos novos tempos de lado em um dos filmes de maior potência plástica de sua carreira, “O último amor de Casanova” (“Dernier Amour”), em cartaz na programação do Festival do Rio 2019. Tem projeção dele no evento às 21h desta terça, no Kinoplex Tijuca. Há mais uma sessão agendada para quarta, às 21h30, no Kinoplex São Luiz. Vincent Lindon (de “O valor de um homem”) dá vida ao conquistador nº1 da Europa nesta narrativa histórica sobre impotências morais. No século XVIII, em meio a uma viagem à Inglaterra, regada a sexo, ostra e tortas cheias de glacê, o nobre tem um embate com uma jovem cortesã, Chapillon (papel dado a Stacy Martin), que quer usá-lo em um joguete em busca de um dinheiro de que precisa. As negativas da moça em cair na lábia do aristocrata dão a ele um combustível romântico, que incendeia seu querer. Jacquot apela para uma edição mais ligeira do que seu tempo narrativo habitual, apoiado no refinamento da montadora Julia Gregory. Na fotografia cheia de chiaroscuros de Christophe Beaucarne, garante ao diretor de “Eva” (2018) a mesma elegância visual que ele demonstrou em “Adeus, minha rainha” (2012). O diferencial aqui é o mar de sensações que Lindon desagua sobre nós a cada olhar.

p.s.: Nesta quarta o Festival do Rio confere o doloroso “Pacificado”, dirigido pelo mais carioca dos americanos, Paxton Winters, e agraciado com a Concha de Ouro do Festival de San Sebastián, além das láureas de melhor ator (Bukassa Kagengele) e fotografia (Laura Merians Gonçalves). Laureado pelo júri popular da Mostra de São Paulo, o filme teve Darren Aronofsky de (“Cisne Negro”) como um de seus produtores. Bukassa brilha no papel de um traficante que regressa à favela que liderou no passado, após 14 anos de xilindró. Na volta, precisa aprender a ser pai de uma filha que nunca conheceu, a adolescente Tati (Cassia Nascimento). A exibição vai ser nesta quarta, às 21h30, no Estação Net Botafogo. É um dos melhores filmes brasileiros da década… de longe.

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