Carvana na bossa da saudade: ‘Apolônio Brasil’ hj na TV

Carvana na bossa da saudade: ‘Apolônio Brasil’ hj na TV

Rodrigo Fonseca

20 Dezembro 2017 | 13h07

Marco Nanini e Alessandra Verney formam um duo de voz e amizade em “Apolônio Brasil – O Campeão da Alegria”, na TV Brasil

Rodrigo Fonseca
Houve uma vez um Festival de Gramado no qual o Sul em peso se uniu nos acordes da Bossa Nova, cantando as saudades evocadas por um filme seminal à compreensão da vida boêmia deste país: Apolônio Brasil – O Campeão da Alegria (2003) atração desta noite de quarta no Mostra Hugo Carvana, da TV Brasil. É hoje (dia 20/12), às 23h. Desde 29 de novembro, o canal vem resgatando os longas-metragens dirigidos pelo cronista da amizade que cometeu a deselegância de partir deste mundo em 2014, sem pedir licença ao nosso coração.  Sua filmografia, como diretor, é uma celebração da malandragem. Mas a história de Apolônio abraça mais o lirismo (e a nostalgia) do que a pilantragem. Foi o lirismo que fez a Serra Gaúcha cantar, em coro, “Se todos fossem, no mundo/ Iguais a você”, numa projeção coroada com um Kikito de Grande Prêmio do Júri. Aquela exibição, cheia de canto e de choro, coroou (uma vez mais) o talento de Marco Nanini e revelou a nosso cinema uma atriz e cantora gigante no talento, na beleza e na delicadeza: Alessandra Verney. De quebra, ainda vemos uma participação antológica de José Lewgoy (1920-2003), em um de seus derradeiros trabalhos, brincando com sua própria persona de vilão das chanchadas.

Ele é um cientista louco, interessado em resgatar a fórmula da diversão suprema, cuja fonte pode estar no cérebro de um crooner e pianista, Apolônio (um Bukowski carioca criado por Nanini num misto de cinismo, sensualidade e carência). Por décadas a fio de litros e litros de uísque derramado e partituras executadas, ele colecionou amigos e amores, sem economizar no prazer e sem temer fossas sazonais. Sua trajetória revela muito sobre o passado do Rio de Janeiro, dos anos 1950 a 1990.      

Pro dia 27, a TV Brasil reservou a obra-prima de Carvana no papel de realizador: Bar Esperança – O Último Que Fecha (1983), um dos dez melhores filmes nacionais dos anos 1980. E aí… aí é Ano Novo.