Cannes ovaciona ‘120 Batimentos Por Minutos’, um retrato da luta contra a AIDS

Cannes ovaciona ‘120 Batimentos Por Minutos’, um retrato da luta contra a AIDS

Rodrigo Fonseca

20 Maio 2017 | 10h55

“120 Batimentos por Minuto” é a mais pura “solidarid’aids”: ola ao fim da sessão

RODRIGO FONSECA
Aula de solidariedade ao reviver o ativismo em prol da luta dos seropositivos nos abos 1990, 120 Battements Par Minute, de Robin Campillo, tem tudo para amolecer o coração de Pedro Almodóvar e seus jurados na briga pela Palma dourada. É um olhar para universo LGBT como raras vezes se viu. Febril, feérico e isento de moralismo, ele faz ficção de reminiscência com agilidade documental incorporando vivências geracionais do diretor. É a prova de que boas intenções podem render filmes bons ainda que formalmente mal comportados. O melhor da Palma ainda é o sueco The Square. Neste vemos um incômodo (mas hilário)  ensaio sobre o constrangimento, dirigido por Ruben Östlund (Força Maior) com foco no universo das artes plásticas. Sequências antológicas como uma performance na qual um artista imita um gorila em um jantar de luxo ou uma entrevista mesclada a uma cantada bastariam para fazer deste longa-metragem o mais provocativo do festival até agora. Mas há mais provocação do que isso no esforço de o diretor discutir o limite entre liberdade de expressão e terrorismo cultural.