Cannes nega Palmas ao Coronavírus

Cannes nega Palmas ao Coronavírus

Rodrigo Fonseca

06 de março de 2020 | 12h01

Rodrigo Fonseca
Desculpe, Coronavírus, mas vai rolar Festival de Cannes sim, na data que tinha de ser – 12 a 23 de maio – com o anúncio da programação agendado para 16 de abril. No dinamismo das relações da imagem que alimentam as engrenagens do cinema, o desfecho da Berlinale, no domingo passado, com a coroação do iraniano “There Is No Evil”, já aquece os motores de Croisette, que terá Spike Lee na presidência de seu júri deste ano. E já se comenta na escolha de “The story of my wife”, produção francesa da diretora húngara Ildikó Enyedi (de “Corpo e Alma”) na qual Louis Garrel é um marinheiro que faz uma aposta sobre seu futuro afetivo, envolvendo uma jovem empoderada (Léa Seydoux). Depois da gloriosa edição de 2019, quando revelou o potencial ganhador de Oscars “Parasita”, Cannes já tem um time classe AA de cineastas autorais para sua próxima celebração da cinefilia, agendada de 12 a 23 de maio. Fala-se até na sci-fi “Tenet”, do inglês Christopher Nolan, com o filho de Denzel Washington, o ator John David Washington, à frente de uma operação para deter a Terceira Guerra Mundial. “Benedetta”, novo longa-metragem do holandês Paul Verhoeven, com Virginie Efira no papel de uma freira com dons paranormais e orientação sexual homoafetiva, já é dado como concorrente. Fala-se o mesmo de “On the rocks”, reencontro de Sofia Coppola com Bill Murray, numa história sobre acerto de contas entre pai (ele) e filha (Rashida Jones). Falando em Murray, ele participa ainda da dramédia “The French Dispatch”, em que Wes Anderson trava parceria com uma nova trupe: Cécile de France, Elisabeth Moss, Timothée Chalamet e Saoirse Ronan. Sua história sobre o universo do jornalismo na França é uma potencial atração para a briga pela Palma de Ouro. Fala-se (muito) da entrada do japonês Hayao Miyazaki no certame, com seu desenho inédito: “How do you live”. Queridinho do balneário, onde conquistou a Palma em 2010, com seu “Tio Bonmee”, o tailandês Apichatpong Weerasethakul tem um trabalho novo saindo do forno: “Memória”, com Tilda Swinton, rodado na Colômbia. Deve ter mais DNA latino-americano em campo no Palais des Festivals com “Petite Fleur”, coprodução francesa pilotada pelo argentino Santiago Mitre. Nela, o diretor de “A Cordilheira” (2017) põe o uruguaio Daniel Hendler na pele de um fã de jazz que mantém um estranho ritual diário: todo dia ele mata seu vizinho… o mesmo… que renasce a cada manhã. E a África deve correr pro gol com “Lingui”, do chadiano Mahamat-Saleh Haroun. Deve ter Leos Carax na briga pelo troféu cannoise com “Annette”, musical com Marion Cotillard e Adam Driver. Também devemos ver o italiano Nanni Moretti em concurso com “Ter piani”, em que a rotina de um condomínio é devassada. E a lista de especulações dá ênfase ao retorno da atriz Emmanuelle Bercot à direção, com “De son vivant”, sobre o drama de um paciente com câncer (Benôit Magimel) ao longo de um ano cheio de conflitos com sua mãe (Catherine Deneuve). Quem sabe “Pedro”, de Laís Bodanzky, com Cauã Reymond no papel de D. Pedro I, não entra nesse bonde também?

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