Cannes Classics entre o terror e ‘Born to be wild’

Cannes Classics entre o terror e ‘Born to be wild’

Rodrigo Fonseca

26 de abril de 2019 | 13h51

Rodrigo Fonseca
Festa da saudade em Cannes: marcos autorais da cultura pop assinados por Kubrick e Dennis Hopper ganham homenagem na Croisette. Saiu hoje a lista de pepitas da mostra Cannes Classics. Uma semana depois de anunciar seu menu competitivo de 2019, o Festival, agendado de 14 a 25 de maio, enfim divulgou o que vem para sua mostra anual Classics, incluindo “O iluminado” (1980), de Stanley Kubrick (1928-1999) em midnight screening, com direito a aula magna de um famoso entusiasta deste marco do terror: o mexicano Alfonso Cuaron (“Roma”). Vai ter ainda uma exibição comemorativa dos 50 anos de “Easy Rider – Sem Destino” (1969), com uma participação de um de seus protagonistas, Peter Fonda. O pacote Cannes Classics inclui ainda tributos para Lina Wertmüller, Milos Forman e Luis Buñuel.

Em 2017, durante uma homenagem em Berlim, a figurinista de Kubrick, Milena Canonero, contou ao P de Pop segredos de bastidor do filme de Kubrick, baseado na literatura de Stephen King. Na trama, Jack Nicholson é o escritor em crise que viaja com a família para um hotel, no qual vai trabalhar como uma espécie de zelador geral. Lá as forças paranormais que rondam seu filho vão se esbarrar com manifestações sobrenaturais.
“Fizemos um filme de horror que se impõe pelo requinte. Contrariamente à fama de excêntrico que tinha, Stanley era um lorde com todos e tinha um olhar muito realista para o universo do hotel onde se passa a trama. Ele não queria nada caricato, nada que exagerasse o horror, pois tinha um interesse de fizéssemos um filme sobre uma família em ruínas, mais do que um filme de fantasmas”, contou Milena ao Estado. “Ele era preciso, meticuloso e valorizava a elegância e a economia de cor nos trajes. O branco da neve é que devia ser berrante”.
Marco absoluto da contestação na contracultura da década de 1960, “Easy Rider – Sem destino” vira cinquentão  no dia 12 de maio: foi nessa data, em 1969, que ele fez sua primeira exibição mundial, no Festival de Cannes, saindo da Croisette premiado como melhor filme de um diretor estreante, no caso, Dennis Hopper. O ator e cineasta orgulhava-se do fato de a história de dois motoqueiros vendedores de drogas (ele viveu o hippie Billy e Fonda, o galante Capitão América Wyatt) ter faturado quase US$ 60 milhões, tendo custado US$ 300 mil – cifras módicas já para a época.
“Depois que saí de Cannes premiado, acreditei que poderia voltar aos EUA e seguir filmando tramas que inovassem a forma e as convenções da América. Foi ingenuidade minha”, disse Hopper, em uma entrevista ao Lab Pop em 2008. “Essa ingenuidade me custou o projeto de seguir dirigindo com a liberdade que eu desejava ter”.
“The dead don`t die”, de Jim Jarmusch, vai abrir a seleta de Cannes.

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