Cannes celebra o centenário de Bergman

Cannes celebra o centenário de Bergman

Rodrigo Fonseca

23 Abril 2018 | 10h04

O sueco Ingmar Bergman (1918-2007) será homenageado pelo festival francês com documentários sobre sua obra e uma projeção de “O Sétimo Selo”

Rodrigo Fonseca
Tradutor dos dilemas da alma para a língua da imagem, Ingmar Bergman (1918-2007) vai ganhar um “parabéns pra você” do 71º Festival de Cannes (8 a 19 de maio) na celebração de seu centenário. Uma cópia restaurada de O Sétimo Selo (1957) será uma das atrações centrais da seleção Cannes Classics. Será exibido ainda um documentário inédito sobre os bastidores de sua obra dirigido pela alemã Margarette von Trotta: Searching for Ingmar Bergman. Há ainda outro .doc sobre ele no pacote da Croisette: é o longa sueco Bergman – A Year In A Life, de Jane Magnusson. Oficialmente, a data exata dos cem anos do realizador é 14 de julho. Mas vários países já comeram a festejar sua memória, a começar pela Suécia. Desde janeiro, shoppings de Gotemburgo, entre os quais o Nordstan, expõem em seus corredores cartazes gigantescos com o rosto do cineasta convocando para os festejos de seu aniversário nº100. A festa inclui retrospectivas de cults como Gritos e Sussurros (1972) e Sonata de Outono (1978), concertos da orquestra sinfônica local com as trilhas de seus longas e… uma partida de xadrez com o campeão sueco.
Esta última comemoração é uma referência direta a uma das maiores contribuições de Bergman ao imaginário cinéfilo: a partida entre o paladino Max von Sydow e a Morte em O Sétimo Selo (1957) para decidir os destinos da Humanidade diante da Peste.

Tem mais coisa boa no Cannes Classics, que vai festejar o 50º ano de glória de 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968) com uma palestra do diretor inglês Christopher Nolan. Lá serão reprisados e debatidos filmes míticos como Ladrões de Bicicleta (1948), Vertigo – Um Corpo Que Cai (1958) e Imensidão Azul (1988). Um marco do cinema político da América Latina, o documentário A Hora dos Fornos (1968), do argentino Fernando Solanas, também ganhará os holofotes da Croisette. E, em alinhamento com o pleito feminista dos novos tempos, Cannes agendou a projeção de documentários inéditos que revisitam a história de grandes mulheres: Be Natural – The Untold Story of Alice Guy-Blanché, sobre a pioneira cineasta do fim do século XIX, e Jane Fonda in Five Acts, sobre a estrela de Barbarella (1968).

Todos Lo Saben, do iraniano Asghar Farhadi, é o longa de abertura do festival e The Man Who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam, seu filme de encerramento.