‘Calmaria’ nada serena na TV

‘Calmaria’ nada serena na TV

Rodrigo Fonseca

16 de julho de 2020 | 11h37

Rodrigo Fonseca
Tem “Serenity” na HBO, buscando uma segunda chance: dia 19, tem exibição dele na TV, às 16h. Um dos maiores fiascos recentes de Hollywood, dada a expectativa em torno da união dos talentos de Matthew McConaughey e Anne Hathaway, “Calmaria” (título nacional) parte de uma premissa que surpreende, apesar de seus problemas. O filme apresenta o rol de perigos que se desenha em torno de um pescador pode ser fruto de uma realidade paralela. Mas sua narrativa se esfacela diante de uma realização sem qualquer sintonia com o filão do suspense e o da fantasia. O cineasta inglês Steven Knight é um diretor em formação, ainda cru, que ganhou sinal verde da indústria audiovisual após ter enervado plateias com o roteiro de “Senhores do crime” (2007). Mas essa mesma indústria esquece que, por trás de um script bom daqueles havia um cineasta da tarimba de David Cronenberg, que encapava as situações escritas com sua plasticidade autoral. Aqui, não: Knight dirigiu um bom filme, “Locke” (2013), com Tom Hardy, e, de resto, só errou. Aqui, o erro está na sua inabilidade de administrar as cartilhas do noir e partir delas para o tom mais fantasioso de “Serenity”, título original deste thriller, decalcado de “Pacto de sangue” (1944). Hathaway é a femme fatale que pede a um amor de ontem (McConaughey, afiado apesar de tudo) para se livrar de seu marido abusivo, jogando ele de seu barco. Mas algo de irregular pode estar por trás desse desejo dela e os impasses que o lobo do mar sente. Pena que a montagem embaralhe essa trama.

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