Calamity Jane anima o Oeste da Europa

Calamity Jane anima o Oeste da Europa

Rodrigo Fonseca

27 de outubro de 2020 | 12h42

Rodrigo Fonseca
Imortalizada por Doris Day em “Ardida Como Pimenta” (1953), a batedora rápida no gatilho e elétrica no galope Martha Jane Canary-Burke (1852-1903), mais conhecida como Calamity Jane, tem sua lenda repaginada… ou melhor, reanimada… nas telas da Europa em um longa-metragem indigenista, antenado com as reflexões sobre equidade de gênero, já em cartaz na França. Laureado com o troféu Cristal de melhor filme no Festival de Annecy deste ano, o desenho animado “Calamity, Une Enfance de Martha Jane Cannary” é um western doce, que revive o mito de formação da vaqueira mais famosa do Oeste americano. Salomé Boulven é quem dá voz a personagem na versão original da trama escrita por Sandra Tosello, Fabrice de Costil e Rémi Chayé, sendo este último o responsável pela direção. “Longo Caminho Rumo ao Norte” (2015) era o trabalho mais conhecido de Chayé até aqui, reforçando seu apreço em revisitar sagas de heroínas populares. Sua Calamity é uma menina corajosa que aprender a domar o machismo de seus contemporâneos ao se destacar em tarefas antes vetadas às mulheres. Ás do laço, ela se mostra uma amazona de múltiplos recursos e vai vencendo os desafios que o mundo sexista impõe à base de muita coragem e destreza. A trilha sonora de Florencia Di Concilio é um achado. Espera-se que o filme esteja no menu do Festival do Rio 2020, em dezembro.

p.s.: Idealizado por Cleo Monteiro Lobato, sob a curadoria de Mari Salmonson, Sônia Travassos e Mônica Martins, o evento “100 Anos de Narizinho” promete agitar a cena literária brasileira nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, mobilizando paixões, controvérsias e lirismos. Informações acerca das inscrições, já abertas, estão no @lobatocomvc e no site narizinho100anos.com.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.