Cadê ‘The Kindness of Strangers’?

Cadê ‘The Kindness of Strangers’?

Rodrigo Fonseca

03 de fevereiro de 2020 | 10h26

Rodrigo Fonseca
Onde foi parar “The Kindness of Strangers”, tocante filme da dinamarquesa Lone Scherfig, que abriu a Berlinale em 2019 e sumiu? Estima-se que, no próximo dia 14, o delicado longa-metragem com Zoe Kazan, vá estrear nos EUA, buscando os holofotes hollywoodianos. Mas muito tempo se passou desde sua primeira projeção, que voltou a ser comentada por conta das novidades da maratona cinéfila da capital alemã. Uma semana se passou desde que o Festival de Berlim anunciou os competidores de sua 70ª edição (20 de fevereiro a 1º de março), tendo o brasileiro “Todos os mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, no páreo pelo Urso de Ouro do evento, que terá o ator Jeremy Irons como presidente do júri. Cabe ao diretor canadense Philippe Falardeau abrir o evento com “My Salinger Year”, em clima de reconstrução para o evento, que teve uma seleção fraca nos dois últimos anos. Lone fez o que esteve a seu alcance para abrilhantar o Berlinale Palast com seu drama de tônus romântico. Nele, há um elenco multinacional estelar que junta jovens como Tahar Rahim (de “O profeta”) a veteranos como Bill Nighy (de “Simplesmente amor. Fazendo da doçura e da solidariedade suas bandeiras, o mais recente longa-metragem da diretora de “Italiano para principiantes” (2000) inauguou a briga pelo Urso de Ouro fazendo jus a uma premissa de esperança.

Pontuado de humor em meio a um rosário de lágrimas, “The kindness os strangers” dá à roteirista e atriz americana Zoe Kazan (neta do mítico diretor Elia Kazan) uma chance de depurar seu talento dramático. Ela vive uma mãe de dois meninos que foge do marido, um policial abusivo e violento. Em meio ao inverno nova-iorquino, ela encontra amparo no gerente de um fino restaurante russo (papel de Rahim) e no dono do estabelecimento, vivido por Nighy com seu habitual deboche à moda inglesa.
“Esses personagens, em si, não carregam nenhum discurso político. A preocupação deles é sobreviver. Mas eu não queria super-heróis, queria angústias reais”, disse Lone ao P de Pop em Berlim. “Meu esforço era ir o mais profundo possível nos dramas deles e apostar num final redentor, algo que, hoje em dia, parece necessário”.

p.s.: As comemorações do centenário de nascimento de Federico Fellini (1920-1993) seguem em fevereiro na Cinemateca do MAM-RJ. Em complemento à exposição “O cérebro (e a caminhada) de Guido Anselmi” apresentamos um pequeno, e singular, percurso pela filmografia de Fellini. Nesta retrospectiva, para além de obras incontornáveis de sua filmografia, destacamos alguns trabalhos em que Fellini foi roteirista e ator. Propomos algumas aproximações com outros cineastas que inspiram a obra felliniana – como Charles Chaplin – e/ou que se assemelham nas formas e metodologias de trabalho – como Alfred Hitchcock. Por último, buscamos apontar algumas pistas de como o cinema contemporâneo pode ter desenvolvido certas características marcantes do cinema felliniano, como a fantasia, a suspensão do real ou formas de trabalhar a memória.

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