Cadê ‘My Salinger Year’, Berlinale?

Cadê ‘My Salinger Year’, Berlinale?

Rodrigo Fonseca

23 de fevereiro de 2021 | 12h37

Rodrigo Fonseca
Segunda-feira será dada a largada para a 71ª edição da Berlinale, já com “Introduction”, de Hong Sangsoo, na arrancada de uma edição online, que vai de 1º a 5 de março, espremida pela covid-19, o que nos leva a perguntar onde foram parar alguns dos grandes filmes do evento germânico de 2020, a começar por sua atração de abertura: “My Salinger Year”. Inédito em circuito no Brasil, o longa-metragem do canadense Philippe Falardeau vem correndo o mundo desde 25 de dezembro, via Europa. Sua primeira exibição foi em solo germânico, de onde a atriz Sigourney Weaver saiu ovacionada em sua atuação como uma bamba da edição de livros. E ela nem é a protagonista: o posto, no filme pertence a Margaret Qualley, conhecida pelo papel da jovem hippie que provoca Brad Pitt em “Era Uma Vez Em Hollywood”. Trata-se de um estudo sobre amadurecimento em um meio artístico onde a palavra mais poderosa é a aquela que chega escrita, justificando muitos silêncios nas relações interpessoais. Premiado pelo mundo afora com “O Que Traz Boas Novas” (2011), Falardeau concebeu uma delicada carta de amor à literatura, que escreveu e dirigiu baseado em memórias da escritora Joanna Smith Rakoff. “Num filme tão feminino, de tantas mulheres fortes, foi fundamental ter uma fotógrafa no comando da câmera, como foi o caso de Sara Mishara, que filma com agilidade”, disse o diretor em resposta ao P de Pop, no Festival de Berlim.

Margaret Qualley mergulha no universo literário sob a direção de Falardeau

Com ligeireza de “Sessão da Tarde” em sua análise sobre o amor, “My Salinger Year” recria os anos 1990 a partir da experiência de Joanna como aspirante a agente literária, cuidando da obra de J. D. Salinger (1919-2010), autor do cultuado “O Apanhador nos Campos de Centeio” (1951). Sua fama foi potencializada por seu comportamento recluso, avesso a entrevistas e contatos com leitores. É papel da personagem de Joanna (vivida por Margaret) protege-lo de suas tietes literárias, a mando da temida agente vivida por Sigourney.
“Encarnei uma mulher que despreza a tecnologia, dedicada ao livro em papel, o que ainda era possível nos anos 1990, pré-internet”, definiu Sigourney. “Existe algo de ridículo nessa forma como ela rejeita os computadores, mas é a maneira de ela, inconscientemente, proteger seus autores a todo custo. E isso nubla seu olhar”.

p.s.: Dois anos se passaram desde a exibição de “Marighella”, de Wagner Moura, em Berlim, e nada de o possante filme com Seu Jorge estrear.

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