Bruce Timm re-anima a DC Comics

Bruce Timm re-anima a DC Comics

Rodrigo Fonseca

22 de maio de 2020 | 10h42

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Responsável por uma revolução na indústria de animação dos anos 1990 com os desenhos do “Batman” dublados por Kevin Conroy/Márcio Seixas, Bruce Timm acaba de dar à Warner Bros. o que periga ser a obra-prima do estúdio na seara das HQs: uma releitura da antologia “DC Showcase Presents”. Esse nome se reporta a uma antologia de quadrinhos que circulou entre 1956 e 1970, sendo renovada nas duas décadas seguidas. Mais do que resgatar essa grife, o animador repagina a representação popular do (anti-)heroísmo ao revisitar personagens que redefiniram os gibis dos EUA, a partir de uma perspectiva adulta, mais sombria. O mais recente trabalho dele, como produtor e diretor, é “The Phantom Stranger”, um curta-metragem de terror com o Vingador Fantasma, um dos mais misteriosos super-heróis encapotados da editora responsável pelo Homem de Aço. É uma trama mística que esbanja bom gosto no uso de cores (como é marca de Timm) e brinca com o Além, a partir de uma visita aos anos hippies da América. Na sequência, ele produziu “Adam Strange”, com foco numa batalha do vetusto viajante espacial do planeta Rann, criado em 1958. A trama do curta revive a transferência de Strange para a Terra e sua luta contra criaturas alienígenas numa estação polar. O roteiro tem cheiro de melancolia, ao acompanhar a decadência do outrora garboso sentinela galáctico. Sua direção de arte é de uma retidão apolínea. Aqui, quem dirige é Butch Lukic. Mas a pérola dessa fornada de superalmanaques animados é “Sgt. Rock”, digna de ser vista e revista. Finalizado em 2019, o curta é o melhor trabalho de Timm como realizador em anos a fio. É uma mais do que bem-vinda ressurreição cinematográfica do cruzado militar surgido na revista “Our Army at War”, nº 83, em junho de 1959, criado por Robert Kanigher e Joe Kubert.

Há 30 anos, a Warner cogitou levar o Sargento Franklin John Rock aos cinemas, com Arnold Schwarzenegger no papel central, com direção de John McTiernan. Seria uma releitura pop do filão “aventura bélica” (“O Desafio das Águias”, “Bastardos Inglórios”), a partir da II Guerra Mundial, com base no trabalho de Kubert. Mas o fracasso de Arnoldão e McTiernan em “O Último Grande Herói” destruiu o projeto, jogando o personagem em um limbo cinéfilo do qual ele sai agora, com a ajuda de Timm. No curta do “DC Showcase Presents”, Rock perde sua Easy Company (Companhia Moleza) e se vê obrigado a comandar uma horda de seres das trevas (um vampiro, um lobisomem e um clone de Frankenstein) no combate a uma célula nazi que projeta zumbis como armas do Reich. É um roteiro enxutíssimo, tendo Karl Urban dublando Rock. A direção de Timm valoriza as cenas de batalha sem perder a ambiência horrorífica da premissa, ligada a criaturas do Demo.

p.s.: O Globoplay incluiu em seu cardápio o ganhador do Leão de Ouro de 2011: “Fausto”, a radical releitura do texto de Goethe feita pelo russo Aleksandr Sokurov, com Hanna Schygulla no elenco.

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