Brasil está de volta à competição de Berlim

Brasil está de volta à competição de Berlim

Rodrigo Fonseca

29 de janeiro de 2020 | 07h48

“Todos os mortos” é o candidato brasileiro ao Urso alemão (fotos de Hélène Louvart)

Rodrigo Fonseca
Demorou, mas, enfim, a Berlinale 70 (20 de fevereiro a 1º de março) anunciou sua competição, com direito a uma vaga para o Brasil, com “Todos os mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra. Eles vão encarar trabalhos zero KM de Sally Potter, Kelly Reichardt, Abel Ferrara, Tsai Ming-Liang, Philippe Garrel, Hong Sangsoo e Rithy Pahn. Na trama, estamos na São Paulo de 1899, onde os fantasmas do passado ainda caminham entre os vivos, quizilando as mulheres da família Soares. Elas são antigas proprietárias de terra, que tentam se agarrar ao que resta de seus privilégios. Para Iná Nascimento, que viveu muito tempo escravizada, a luta para reunir seus entes queridos em um mundo hostil a conduz a um questionamento de suas próprias vontades. Entre o passado conturbado do Brasil e seu presente fraturado, cheio de in tolerância, essas mulheres tentam construir um futuro próprio. Estão no elenco Mawusi Tulani, Clarissa Kiste, Carolina Bianchi, Thaia Perez, Agyei Augusto, Rogério Brito, Andrea Marquee, Leonor Silveira, Thomás Aquino, Alaíde Costa e Gilda Nomacce.

O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira pelo novo comando do festival: em 2019, saiu Dieter Kosslick e entraram Mariette Rissenbeek, como diretora executiva, e Carlo Chatrian, no posto de diretor artístico. Eles incluíram a nova animação da Pixar, “Dois Irmãos: Uma jornada fantástica” (“Onward”), de Don Scanlon (EUA), numa projeção paralela, hors-concours.
Competição
“First Cow”, de Kelly Reichardt (EUA)
“Berlin Alexanderplatz”, de Burhan Qurbani (Alemanha)
“Schwesterlein” (“My Little Sister”), de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond (Suíça)
“Siberia”, de Abel Ferrara (EUA)
“Le Sel des Larmes”, de Philippe Garrel (França)
“The roads not taken”, de Sally Potter (Reino Unido)
“Undine”, de Christian Petzold (Alemanha)
“The Woman Who Ran”, de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)
“El prófugo”, de Natalia Meta (Argentina)
“Favolacce (Bad Tales)”, de Damiano & Fabio D‘Innocenzo (Itália)
“Effacer l’historique”, de Benoît Delépine e Gustave Kervern (França)
“Todos os mortos”, de Marco Dutra e Caetano Gotardo (Brasil)

“DAU. Natasha”, de Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel (Ucrânia)

“Sheytan vojud nadarad” (“There Is No Evil”), de Mohammad Rasoulof (Irã)
“Irradiés” (“Irridiated”), de Rithy Pahn (Camboja)
“Never rarely sometimes always”, de Eliza Hittman (EUA)
“Rizi (Days)”, de Tsai Ming-liang (Taiwan)
“Volevo nascondermi”, de Giorgio Diritti (Itália)
Berlinale Special
“Dois Irmãos: Uma jornada fantástica” (“Onward”), de Don Scanlon (EUA)
“Curveball”, de Johannes Naber (Holanda)

“DAU. Degeneratsia”, de Ilya Khrzhanovskiy e Ilya Permyakov (Ucrânia)

“Speer Goes to Hollywood”, de Vanessa Lapa (Israel)

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