Brasil de Antonio Pitanga em Cannes

Brasil de Antonio Pitanga em Cannes

Rodrigo Fonseca

03 de junho de 2020 | 14h45

Antonio Pitanga estrela “Casa de Antiguidades”, de João Paulo Miranda Maria

Rodrigo Fonseca
Ao denunciar mundialmente os riscos enfrentados pela Cinemateca Brasileira, Thierry Frémaux aproveitou o anúncio dos longas-metragens que receberão o logo do Festival de Cannes 2020 para falar de nosso país, representado na seleção por Antonio Pitanga, astro escolhido pelo diretor João Paulo Miranda Maria para protagonizar o filme “Casa de Antiguidades”. Em um post no Facebook, o cineasta – laureado com uma menção honrosa na Croisette, em 2016, pelo curta-metragem “A Moça Que Dançou Com o Diabo” – declarou: “O filme tem o protagonismo de Antonio Pitanga, com seus mais de 80 anos, interpretando Cristovam; um homem que veio do interior de Goiás e que enfrentará violentamente um grupo ultra conservador no sul do Brasil. Isto o guiará num buraco negro profundo e complexo; que espelha um Brasil que está perdido no tempo, com cara dos anos 70.” A distribuição será feita pela Pandora. Entre os destaques deste ano, vale ressaltar um par de trabalhos de Steve McQueen (“12 Anos de Escravidão”), inéditos das diretoras Naomi Kawase e Maïween, o horror zumbi da Coreia do Sul “Península” e o regresso de Fernando Trueba (de “Quero Dizer Que Te Amo”) à ficção.

“True Mothers”, de Naomi Kawase

Além de Pitanga, “Casa de Antiguidades” tem ainda no elenco o belga Sam Louwyck (“Cargo”), Ana Flávia Cavalcanti (“Corpo Elétrico”), Aline Marta Maia (“Serial Kelly”) e Gilda Nomacce (“As Boas Maneiras”). A direção de fotografia é de Benjamín Echazarreta, fotógrafo de “Uma Mulher Fantástica”, longa vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e a montagem é de Benjamin Mirguet (“Batalla En El Cielo”). Vale lembrar que Pitanga – reverenciado pela Mostra de Tiradentes, em janeiro – está voltando à direção, depois de quase quatro décadas (em 1978, ele lançou “Na Boca do Mundo”), com um longa sobre a Revolta dos Malês, produzido por Flávio Tambellini. É uma vitória para o Brasil que, neste momento de luta contra o racismo, um longa protagonizado por um mito como ele possa ganhar o mundo, sob a égide de Cannes.

AS ATRAÇÕES DE CANNES
The French Dispatch – Wes Anderson
Éte 85 – François Ozon
True Mothers – Naomi Kawase
Loversrock – Steve McQueen
Mangrove – Steve McQueen
Another Drink – Thomas Vinterberg
Last Words – Jonathan Nossiter
ADN – Maïwenn
Even – Im Sang-soo
El olvido que seremos – Fernando Trueba
Des hommes – Lucas Belvaux
Peninsula – Yeon Sang-ho
The Real Thing – Koji Fukada
Passion simple – Danielle Arbid
Good Man – Marie-Castille Mention Schaar
Les choses qu’on dit, les choses qu’on fait – Emmanuel Mouret
John and the Hole – Pascual Sisto
Limbo – Ben Sharrock
– Nir Bergman
Rouge – Farid Bentoumi
Sweat – Magnus von Horn
Teddy – Ludovic and Zoran Boukherma
February – Kamen Kalev
Ammonite – Francis Lee
Médecin de nuit – Elie Wajeman
Enfant terrible – Oskar Roehler
Nadia, Butterfly – Pascal Plante
Eight and a Half – Ann Hui Sammo Kam-Bo Hung Ringo Lam Patrick Tam Johnnie To Hark Tsui John Woo Woo-Ping Yuen
Falling – Viggo Mortensen
Pleasure – Ninja Thyberg
Slalom – Charlène Favier
Casa de Antiguidades – João Paulo Miranda Maria
Broken Keys – Jimmy Keyrouz
Ibrahim – Samuel Guesmi
Daniel Rosenberg
Gagarine – Fanny Liatard, Jérémy Trouilh
16 printemps – Suzanne Lindon
Vaurien – Peter Dourountzis
Garçon chiffon – Nicolas Maury
Si le vent tombe – Nora Martirosyan
On the Way to the Billion – Dieudo Hamadi
The Truffle Hunter – Michael Dweck, Gregory Kershaw
9 jours à Raqqa – Xavier de Lauzanne
Cévennes – Caroline Vignal
French Tech – Bruno Podalydès
Un triomphe – Emmanuel Courcol
Le Discours – Laurent Tirard
L’Origine du monde – Laurent Lafitte
Aya and The Witch – Goro Miyazaki
Flee – Jonas Poher Rasmussen
Soul – Pete Docter, Kemp Powers

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