‘Bombay Rose’ anima o Festival de Locarno

‘Bombay Rose’ anima o Festival de Locarno

Rodrigo Fonseca

05 de agosto de 2022 | 10h00

Chove uma melodia de Caetano Veloso na narrativa de “Bombay Rose”, animda por Giantali Rao, que é uma das juradas de Locarno, em 2022

RODRIGO FONSECA
Indicado à Estrela de Ouro no Festival de Marrakech de 2019, “Bombay Rose”, “a” animação do cinema indiano de longa metragem, com Caetano Veloso em sua trilha sonora, vai ser exibida no próximo dia 9 na programação infantojuvenil do 75º Festival de Locarno. Sob a direção artística e curatorial do crítico Giona A. Nazzaro, o evento suíço começou na quarta, com a projeção de “Trem-Bala”, com Brad Pitt. A diversidade de formatos narrativos e a pluralidade cultural é a marca do cardápio das diferentes mostras dessa maratona audiovisual da Suíça. O longa animado indiano traz a voz de Caetano nos acordes da canção “Cucurrucucú Paloma” (ouvida no gogó dele também em “Fale com ela” e em “Moonlight”). A música dá um tom ainda mais romântico a este painel de relações afetivas, pautado por sonhos frustrados, narrada em clima de Bollywood. A direção é da cineasta Gitanjali Rao, uma quadrinista e ilustradora, estreante em longas de ficção. Dela, será exibido ainda o curta-metragem de 2006 “Printed Rainbow”. A realizadora participa ainda de Locarno como jurada na mostra Concorso Cineasti Del Presente. Aliás, tem um título brasileiro concorrendo lá: “Noite na América”, de Ana Vaz. É a mesma realizadora do elogiado “Apiyemiyekî?” (2020).
Todo pintado manualmente, num mosaico de cor esplendoroso, “Bombay Rose” investiga diferentes núcleos narrativos de seu enredo. Temos de um lado a angústia de uma jovem vendedora de flores que quer arrumar um passaporte para partir do miserável contexto social onde vive. Do outro lado, vemos um jovem muçulmano que rouba rosas em cemitérios. Há ainda a saga de uma criança que se afeiçoa por um menino surdo e a história de uma professora de Inglês, já anciã, que, ao vender quinquilharias para um antiquário, revê uma história de amor LGBTQ+.

“Printed Rainbow”, animado por Gitanjali em 2006, também será exibido no festival suíço

Até seu encerramento, no dia 13, Locarno promete barulho com “My Neighboor Adolf”, uma comédia sobre um imigrante vitimado pelo Holocausto que acredita ter o próprio Hitler (disfarçado) como vizinho em terras sul-americanas. É uma promessa de polêmica.
Este ano, o Brasil está na disputa do Leopardo de Ouro do festival com “Regra 34”, de Julia Murat. É um dos títulos com mais fôlego para prêmios. Na trama já divulgada, uma jovem advogada que estuda kung fu com uma colega, com quem divide aspirações feministas para a evolução da sociedade brasileira, é apresentada ao universo do BDSM (o sexo com práticas sadomasoquistas) e passa por uma transformação em que enfrenta ranços sexistas. Laureada na Berlinale de 2017 com o Prêmio da Crítica por “Pendular”, Julia vai concorrer com 16 produções de diferentes países, incluindo o trabalho mais recente do mestre russo Aleksandr Sokurov: “Fairytale”.
Tem ainda um filme do premiado Carlos Segundo, também brasileiro, na disputa Curtas de Autor, com “Big Bang”.

p.s.: Na “Sessão de Sábado” deste fim de semana, às 14h, a Globo exibe “A Múmia” (1999), com Brendan Fraser.

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