Boas novas da Finlândia e bom curta brasileiro alimentam Cannes

Boas novas da Finlândia e bom curta brasileiro alimentam Cannes

Rodrigo Fonseca

19 de maio de 2016 | 20h26

#A Moça Que Dançou com o Diabo

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Frente ao “Efeito Aquarius”, termo usado por jornalistas portugueses em relação ao boca a boca em prol do colossal filme de Kleber Mendonça Filho no Festival de Cannes, o curta brasileiro A Moça Que Dançou Com o Diabo, indicado à Palma de Ouro de sua categoria, recebeu menos atenção do que seu diretor, João Paulo Miranda Maria, merece por seu vigor narrativo. Ao narrar o périplo de uma jovem criada em seio religioso para buscar seu próprio Paraíso, o diretor de Command Action (2015) quebra padrões de representação social, construindo uma reflexão irônica. Evoca, de longe, As 1001 Noites, de Miguel Gomes.

“The Happiest Day In The Life of Olli Mäki”: da Finlândia para o Un Certain regard de Cannes

Na seção Un Certain Regard, que trouxe uma seleta sofrível este ano, a Itália nos “presenteou” com o pior longa de todo o evento: Pericle Il Nero, thriller mafioso de Stefano Mordini, que faz rir onde deveria criar tensão. Mas a Finlândia salvou a pátria com a iguaria em P&B dos bons The Happiest Day In The Life of Olli Mäki, de Juho Kuosmanen. Na trama, Olli (o ótimo Jarkko Lahti) é um aspirante a pugilista que, em 1962, pode fazer sucesso nos ringues desde que consiga controlar seu apetite e seu coração.

Só dois títulos da Un Certain Regard foram melhores: o desenho animado The Red Turtle, do holandês Michael Dudok De Wit, e o drama Captain Fantastic, do americano Matt Ross, que traz Viggo Mortensen no melhor de si.

O Festival de Cannes chega ao fim no domingo, dia 22, tendo Paterson, Aquarius, Toni Erdmann e I, Daniel Blake como os concorrentes de maior força. Mas rolam fofocas de bastidor de que o favorito do júri liderado pelo diretor australiano George Miller é Ma Loute, de Bruno Dumont. Ai! Ai! Ai!