Boas entradas e Banderas para 2020

Boas entradas e Banderas para 2020

Rodrigo Fonseca

31 de dezembro de 2019 | 08h27

RODRIGO FONSECA
Um dos favoritos a sair do Beverly Hilton, neste domingo, com o Globo de Ouro de melhor ator, contrariando a torcida em prol de Joaquin Phoenix (por “Coringa”) e de Adam Driver (por “História de um Casamento”), José Antonio Domínguez Bandera(s) é uma das apostas mais quentes para presidir o júri da 70ª Berlinale, agendada de 20 de fevereiro a 1º de março. Há quem fale até uma homenagem a ele, com projeção de “Ata-me” (1989) no evento, que não confirmou a escolha dele e tampouco deu sinal verde para o concorrentes ao Urso de Ouro. Mas o Festival de Berlim pode estar de olho nas comemorações dos 60 anos do astro espanhol, que vive dias de apogeu com seu desempenho em “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar, cuja bilheteria global beira US$ 36 milhões. É esse o longa-metragem que pode dar a ele, agora em 5 de janeiro, o troféu da Hollywood Foreign Press Association (HFPA). E ele será o protagonista de um dos projetos mais esperados pelo cinemão (adulto) da Europa em 2020: “Lamborghini”, de Robert “Bobby” Moresco. Esse projeto da Ambi Pictures é uma biopic do industrial Ferruccio Lamborghini (1916-1993), criador de uma das mais famosas escuderias do mercado automobilístico do Velho Mundo. A produção do filme foi antecipada na esteira do prestígio mundial de “Ford vs. Ferrari”, de James Mangold. E Alec Baldwin entra em cena como Enzo Ferrari, ao lado de Antonio, que tem outros planos para o ano. Já em janeiro, ele será visto ao lado de Robert Downey Jr. em “Dolittle”, ao lado de bichos falantes. Lá para junho, ele contracenará com Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson na comédia com toques de ação “The Hitman’s Wife’s Bodyguard”. E ainda tem a ideia de fazer teatro.
“Eu bati na trave muitas vezes na minha vida, sempre que disputei algum prêmio. Cannes mudou a minha sorte”, disse Banderas, que deixou a Croisette, em maio, com o prêmio de melhor interpretação masculina. “Desde que eu deixei a Espanha para tentar a sorte em Hollywood, vivi muita coisa, dirigi filmes (como “Loucos no Alabama”) e adquiri uma bagagem vasta, de vida, de trocas. Mas para fazer um filme como ‘Dor e Glória’, foi necessário um desapego radical, voltar ao aprendizado da minha juventude quando eu conheci Pedro”.
Encarado por muitos como o filme mais autobiográfico de Almodóvar, embora o próprio diretor diga que todos seus longas têm essa natureza de espelhamento de suas experiências pessoais, “Dor e glória” narra o sofrido cotidiano de um cineasta e escritor, Salvador Mallo (papel de Banderas), que lida com problemas de coluna e com uma severa doença gástrica que o sufoca. “Acho que o personagem me contagiou, pois estou com dor na coluna, mas já tomei um paracetamol”, brincou Banderas, em sua chegada em Cannes, lembrando que tomou um susto no início do 2019, antes de o longa chegar às telas, ao ser hospitalizado com dores no peito. “A saúde está indo bem agora e a vontade de criar também”.

Em “Dor e glória”, Salvador desistiu da arte e dos prazeres do dia a dia. Mas o reencontro com um ator com quem brigou no passado e um mergulho no mundo das drogas vai sacudir a pasmaceira de seus dias, levando-o a um reencontro com as memórias da mãe, vivida por Penélope. “Às vezes, é preciso matar quem a gente se tornou para voltar a ser quem a gente realmente é… ou quer ser”, disse Banderas à Croisette. “Em 2011, quando Pedro e eu fizemos “A pele que habito”, eu havia passado uns 20 anos sem trabalhar com ele, filmando em Hollywood, tendo estabelecido família nos EUA, mudado de ares, entrado numa nova jornada, numa nova rotina de trabalho. Voltei com um olhar diferenciado, mas Pedro me ajudou a reaver o olhar que eu tinha antes de partir para a América. Comecei numa época em que ele era tudo o que um jovem espanhol gostaria de ver. E participei do início da carreira dele, numa troca, buscando um cinema vivo. Estamos, de novo, agora, buscando a vida. E é muito bonito esse caminho para me libertar”.

p.s.: Criado nas HQs em 1963 por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, o Tenente Blueberry tem desbravado corações no faroeste das livrarias francesas com uma nova encarnação desenhada por Christophe Blain e escrita por Joann Sfar. O álbum atual, “Amertume Apache”, está em competição em um dos eventos mais importantes do ano no setor quadrinístico: o Festival de Angoulême. Embora a Comic-Con de San Diego (feira anual de cultura nerd) seja a vitrine midiática de maior badalação para as HQs, Angoulême, uma cidade no sudoeste da França, é encarada como a capital mundial do quadrinho de autor: desde 1974, o mês de janeiro por lá é dedicado a um evento de análise, premiação e venda de gibis mensais e graphic novels, onde as novas tendências artísticas dos quadrinistas são definidas. Agendado este ano de 30 de janeiro a 2 de fevereiro, o festival francês vai passar em revista a importância de Wallace Wood (1927-1981), um dos míticos artistas do Demolidor e da “Mad”.
p.s.2: O primeiro filme de 2020 na TV aberta no Brasil, à 1h20, será “O Virgem de 40 Anos” (“The 40 Year Old Virgin”, 2005), do gênio do humor Judd Apatow, que volta aos cinemas este ano com uma biografia de Pete Davidson. Steve Carell vive um vendedor quarentão que nunca conseguiu transar.
p.s. 3: Feliz 2020 a todos vocês

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