‘Blackbird’ abre o Festival de San Sebastián

‘Blackbird’ abre o Festival de San Sebastián

Rodrigo Fonseca

13 de agosto de 2019 | 09h06

Diretor de “Um lugar chamado Notting Hill” pilota “Blackbird”, remake do último sucesso de Bille August: no páreo pela Concha de Ouro

Rodrigo Fonseca
Aos 72 anos, Susan Sarandon vai comandar um elenco estelar (Kate Winslet, Sam Neil, Mia Wasikowska e Rainn Wilson) no longa-metragem de abertura do Festival de San Sebastián, cuja 67ª edição vai de 20 a 27 de setembro, na Espanha: Blackbird” é o nome do filme, cuja direção cabe ao sul-africano radicado no Reino Unido Roger Michell. Embora não seja respeitado como deveria, o diretor é conhecido entre os brasileiros por um dos filmes mais reprisados do país nos últimos 20 anos: “Um lugar chamado Notting Hill”. Este novo trabalho dele é uma versão em língua inglesa do drama dinamarquês “Coração Mudo”, de Bille August, laureado mundialmente em 2014. No remake anglo-americano, Sarandon é a matriarca de uma família que se reencontra para uma festa de despedida. O adeus em questão é para a própria personagem de Sarandon, que, vítima de uma doença terminal, anseia por eutanásia para abreviar sua angústia. Mas seu reencontro com as filhas vai revelar segredos que hão de abalar a paz de seus entes queridos. A produção será exibida na Espanha em concurso, na luta pela Concha de Ouro.

A seleção competitiva de San Sebastián já divulgou parte de suas pepitas douradas. A competição oficial vai ter James Franco como um de seus chamarizes. Dois anos depois de conquistar a Concha de Ouro com “O Artista do Desastre”, o ator e diretor americano vai voltar à competição oficial do evento espanhol com o esperado “Zeroville”, comédia sobre a Hollywood de 1969. Concorrem com ele produções inéditas pilotadas por Louise ArchambaultGuillaume NiclouxJosé Luis Torres LeivaIna WeisseAdilkhan Yerzhanov David Zonana. É Franco quem protagoniza seu novo exercício autoral por trás das câmeras, numa investigação sobre a indústria de cinema dos EUA há 50 anos. Ele vive Vikar, um arquiteto que acaba sendo tragado pelos estúdios. Seth Rogen Will Ferrel estão em seu elenco. Não há brasileiros em concurso, até agora, mas a disputa por prêmios vai contar com três longas espanhóis, Da prata da casa, concorrem: “La hija de um ladrón”, de Belén Funes; “La trincheira infinita”, de Aitor Arregi, Jon Garaño e Jose Mari Goenaga; e o esperado “Mientras dure la guerra”, que marca a volta do badalado Alejandro Amenábar (“Os outros”).

Fora da competição principal, vai ter ainda um batidão do que se viu de melhor na Berlinale e na Croisette, começando por “Les Misérables”, thriller social que deu ao francês de origem maliana Ladj Ly o Prêmio do Júri cannoise, em empate com o pernambucano “Bacurau”. Nele, três policiais enfrentam uma rebelião dos moradores de um subúrbio majoritariamente negro de Paris em retaliação a uma agressão contra um menino daquela periferia. Esse enfrentamento marca um levante do povo contra uma instituição de controle estatal.

De Cannes, foram trazidos ainda o novo Ken Loach (“Sorry We Missed You”) e a comédia de tons assistencialistas e motivacionais “Hors Norme”, de Eric Toledano e Olivier Nakache (a dupla de “Intocáveis”). De Berlim veio o comovente drama chinês “So long, my son”, de Wang Xiaoshuai, que traça um paralelo entre as transformações sociais da China e o período de 30 anos de luto de um casal, atomizado pela perda de um filho. Na capital alemã, em fevereiro, o longa conquistou os Ursos de Prata de melhor atriz e ator, dados a Yong Mei e Wang Jingchun. Ganhador da Palma de Ouro, a comédia coreana “Parasite”, do cultuado diretor Bong Joon-ho, também integra a seleção – ela foi exibida no domingo, no Festival de Locarno, em tributo a seu ator principal, Song Kang-ho. Este ano, San Sebastián vai prestar uma homenagem à atriz espanhola Penélope Cruz – hoje em cartaz no Brasil com “Dor e glória” – e vai promover uma retrospectiva do diretor mexicano Roberto Gavaldón (1909-1986).
Até o fim do mês, San Sebastián anunciará novas atrações.

p.s.: Tem uma sessão de “Estrada para Perdição” agendada no “Corujão” desta madrugada na TV Globo, às 2h25. O filme fora anunciado pela emissora carioca antes, em 7 de maio, mas terá uma exibição na virada de terça pra quarta, apoiada no carismo de um elenco memorável. Com o prestígio em alta por conta dos Oscars conquistados por “Beleza Americana” (2000), o inglês de origem portuguesa Sam(uel Alexander) Mendes – hoje envolvido com a finalização do épico sobre a 1ª Guerra Mundial chamado “1917” – foi convocado para adaptar uma HQ de Max Allan Collins e Richard Piers Rayner sobre a atmosfera noir mítica do gangsterismo, que se chamava “Road to Perdition”. O gibi saiu aqui como minissérie pela Via Lettera. Era uma narrativa que dava um cunho quase religioso ao fardo dos matadores, elegendo como foco um assassino crudelíssimo nas ruas que, em sua casa, era um modelo de bom marido e pai zeloso: Michael Sullivan. Essa dimensão moral cativou Mendes, que deu à trama um tom misto de ação e épica geracional, calcado na escolha de Tom Hanks como seu protagonista. O ator – que este ano voltará às telas no papel do apresentador de TV Fred Rogers em “A Beautiful Day in the Neighborhood”, de Marielle Heller – tem um desempenho memorável nesta versão do quadrinho de Collins para as telas. Esta produção orçada em US$ 890 milhões, cujo faturamento nas bilheterias foi de US$ 181 milhões, vai ser exibida pela Globo numa versão dublada primorosa da finada Herbert Richers. Foi Mario Jorge quem dublou Hanks, num trabalho que beira a excelência. Coube ao mito da voz Jomeri Pozzolli dublar Paul Newman (1925-2008).

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