‘Bixa Travesty’ nas performances do Real

‘Bixa Travesty’ nas performances do Real

Rodrigo Fonseca

23 de novembro de 2020 | 12h44

Rodrigo Fonseca
Laureado com cerca de 30 prêmios pelo mundo afora, a partir da conquista do Teddy na Berlinale de 2018, “Bixa Travesty”, sobre e (em especial) com Linn da Quebrada, fez fama planetária como sendo um tratado de afirmação das diferenças no exercício do desejo e na política de e de estar, para além das amarras do corpo. Companheiros de uma vida devotada à arte, a paulista Claudia Priscilla e o mineiro (radicado em SP) Kiko Goifman renovaram todo o prestígio de que já desfrutavam – e o ampliaram – com este elétrico longa-metragem, que vai ser o mototo de arranque para o debate do seminário Na Real_Virtual desta segunda. Marcio Blanco assina a produção do simpósio, promovido na URL https://imaginariodigital.org.br/real-virtual/parte-2, com curadoria do cineasta Bebeto Abrantes e do crítico Carlos Alberto Mattos, e cerca de 250 ouvintes inscritos. A conversa começa às 19h.
“Acredito que todos os corpos são corpos políticos e a gente tem essa performatividade de gênero tanto na espera pública, quanto na esfera privada”, diz Claudia Priscilla ao P de Pop do Estadão. Ela dirigiu solo “Leite e Ferro” (2009) e “A Destruição de Bernardet” (2016), e dividiu com Goifman a direção de “Olhe pra mim de novo” (2011) e “Bixa Travesty”. Já ele fez “33” (2002); “Atos dos Homens” (2006); “FilmeFobia” (2008); e “Periscópio” (2013). “Nós trabalhamos no filme do outro e, mesmo que a gente não divida a direção, é sempre um trabalho compartilhado”, diz Kiko.

Autor do seminal “Sete Faces de Eduardo Coutinho”, Mattos diz que a parceria deles é uma das mais interessantes no campo do documentário contemporâneo brasileiro. “Em cada filme, eles experimentam diferentes dispositivos, do documentário pessoal ao reflexivo, do flerte com o filme de gênero ao documentário performático. No encontro que programamos com eles para o Na Real_Virtual, vamos explorar as duas acepções da palavra ‘gênero’: uma ligada ao universo cinematográfico, na qual se encontram ‘33’ e ‘Filmefobia’, e outra associada à questão da sexualidade. ‘Bixa Travesty’, a meu ver, coroa todo um processo em que ambos vêm investigando as múltiplas formas com que a diversidade sexual é exercitada como opção de vida e como prática política. A ousadia temática e a inventividade artística se conjugam habilidosamente no trabalho dessa dupla inspiradora”.
No frigir das inquietações documentais do país, Abrantes e Mattos têm agendadas ainda conversas com Adirley Queirós, Evaldo Mocarzel, Sandra Werneck e Walter Salles. Esses papos rolam sempre às 19h, às segundas, quartas e sextas. Valem a atenção, o estudo, o aplauso e um lugar de honra na História, a do nosso cinema, por ser uma reação e uma proposição em um tempo de doença (em múltiplos níveis). Cada conversa é um curso de em si.

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