‘BFG’: Spielberg para menores, de Cannes pra TV

‘BFG’: Spielberg para menores, de Cannes pra TV

Rodrigo Fonseca

17 de maio de 2020 | 11h09

O gigante BFG (nas feições de Mark Rylance) e a menina Sophie (Ruby Barnhill) vão levar alegria à “Temperatura Máxima”

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Responsável por revelar aos brasileiros grandes sucessos infantojuvenis da História do cinema, de 1989 até hoje, a “Temperatura Máxima” deste domingo, na Globo, exibe às 13h40, um dos filmes mais lúdicos da obra recente de Steven Allan Spielberg, hoje com 73 anos: “The BFG”, no Brasil, “O Bom Gigante Amigo”. Lançada fora de circuito no Festival de Cannes (que este ano, deixa saudades), esta produção de US$ 140 milhões, cuja arrecadação limitou-se a US$ 195 milhões, é uma adaptação da prosa do autor inglês Roald Dahl (1916-1990). Impressionam os efeitos especiais utilizados na construção de criatura pantagruélicas que visitam a Inglaterra e entram em embate com as tropas da Rainha da Inglaterra, esplendidamente vivida pela atriz Penelope Wilton. “Esta é uma história que me fascinou por refletir a solidão da infância, uma solidão que eu sentir quando menino, refugiando-me em livros e filmes para aplacar a minha angústia. Neste livro, há uma garotinha muito só, que, com o poder da imaginação, age e luta contra o vazio em si”, disse Spielberg ao P de Pop, na Croisette há quatro anos, referindo-se à pequena órfã Sophie.

Foi Ruby Barnhill, então com 12 anos, com viveu Sophie no longa-metragem. Na trama, roteirizada por Melissa Mathison (1950-2015), pouco antes de sua morte, a guria tenta ajudar seu mais novo amigo, o gigante BFG (construído à semelhança do ator Mark Rylance, só que repaginado em efeitos de animação). Ela tem que auxiliar o bondoso grandalhão a se safar o bullying cometido por seres tamanho GG bem maiores que ele. Para isso, ela vai recorrer a uma ajudinha da Rainha da Inglaterra (trabalho exemplar de Penelope), que passa a simpatizar com a mocinha e seu altíssimo amigo.
“A Ancestralidade sempre reserva espaço para seres gigantes entre suas fábulas, como metáforas para o perigo, para a exclusão”, diz Rylance, que despontou para os olhares da crítica em 2001, ao protagonizar “Intimidade”, um drama erótico ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlim. “Steven encarou os gigantes como forças primordiais da Natureza, representando um balanço entre a selvageria e a civilização. Ele capturou meus movimentos num processo que lembra os ensaios de uma peça de teatro”.

Na versão brasileira, Cássius Romero dubla BFG. Ruby ganhou o gogó de Anna Giulia Chantre e a Rainha o vozeirão de Rosa Maria Baroli. Em 18 de dezembro, se o coronavírus deixar, Spielberg volta às telas com uma releitura do musical “West Side Story”, com Rachel Zegler e Ansel Elgort.

p.s.: Em sua triagem dos grandes autores cinematográficos europeus modernos, o streaming MUBI (www.mubi.com) resgatou uma pérola do francês Alain Resnais (1922-2014): “A Vida é Um Romance” (“La Vie Est Un Roman”, 1983). Nele, temos três contos distintos que refletem a artificialidade das relações humanas.

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