Bellocchio leva sonhos a Cannes

Bellocchio leva sonhos a Cannes

Rodrigo Fonseca

11 de maio de 2016 | 13h13

“Fai Bei Sogni”, de Marco Bellocchio: um mestre do cinema italiano discute maternidade na Quinzena dos Realizadores

Ao longo de 55 anos como director, à frente de cults como De Punhos Cerrados (1965) e Vincere (2009), o italiano Marco Bellocchio construiu uma das carreiras mais consistentes de sua pátria nas telas, à força de uma inquietação frentes à instituição chamada família que vai se fazer sentir, uma vez mais em sua obra, nesta quinta-feira, com a projeção de Fai Bei Sogni no 69° Festival de Cannes. Centrado em romance homônimo de Massimo Gramellini, o longa-metragem vai abrir a programação da Quinzena dos Realizadores, seção paralela à disputa pela Palma de Ouro, considerada um canteiro para renovar experiências autorais. Na trama, o jornalista Massimo (Valerio Mastandrea) conquistou o respeito de seus colegas por coberturas em zonas de conflito como Sarajevo, mas vive assombrado pelo sumiço de sua mãe, ocorrida em 1969, quando era apenas uma criança. Ele precisa se curar de suas cicatrizes afetivas ao ser tomado por ataques de pânico. Para isso vai contar com o apoio – e talvez algo mais – de uma médica, a Dra. Elisa (Bérénice Bejo).

Antes, a Quinzena concede seu prêmio especial, a Carroça de Ouro, dado a mestres da direção pelo conjunto de suas carreiras, ao finlandês Aki Kaurismäki (de longas premiados como O Porto).

Na zona de Cannes chamada de Marché du Film, que serve como sede para rodadas de negócios internacionais entre produtores, chamam atenção três produções brasileiras ainda inéditas: Era El Cielo, de Marco Dutra; O Roubo da Taça, de Caito Ortiz; e Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert, aclamado no Festival de Berlim, em fevereiro.