Baumbach em seu apogeu na caça ao Leão

Baumbach em seu apogeu na caça ao Leão

Rodrigo Fonseca

29 de agosto de 2019 | 18h16

Scarlett Johansson e Adam Driver brilham no devastador “História de um casamento”, do diretor de “Frances Ha”

Rodrigo Fonseca
Respeitado na seara indie dos EUA desde que “A lula e a baleia” foi indicado ao Oscar, em 2006, o nova-iorquino Noah Baumbach experimentou o gostinho da consagração na briga pelo Leão de Ouro de Veneza, ao fim da projeção de seu mais novo (e melhor) filme em 25 anos de carreira como realizador: “História de um casamento”. Símbolo de beleza na moda e nas telas, Scarlett Johansson vai ao fundo do poço afetivo nesta produção Netflix, aplaudida várias vezes ao longo de sua projeção para a imprensa, no Lido. “Marriage Story” é o título original em inglês. A atuação de Scarlett e a de Adam Driver (o vilão Kylo Ren, neto de Dath Vader, em “Star Wars”), nesta trama sobre a desagregação de um casal, beira a excelência, com direito a longos monólogos de cada um. A trilha sonora traz um toque de doçura e uma pitada de amargura, com a grife de Randy Newman.

“Sempre evitei trilhas românticas nos meus longas, mas, aqui, a proposta de Randy nesse registro foi precisa. Mandei o roteiro pra ele e, no dia seguinte, já recebo um telefonema com a música. Ele me ligou e tocou, ao telefone, em seu piano, os arranjos da trilha. Chorei no estúdio quando ele me mostrou a gravação”, disse Noah ao P de Pop. “Este é um filme em que você não pula de uma cena para a outra rapidamente, facilmente, nos sets”.

Segundo fofocas, Baumbach construiu o roteiro a partir de suas próprias experiências ao se separar da atriz Jennifer Jason Leigh (de “Os oito odiados”), com quem viveu de 2005 a 2013. Em meio ao fim do casório com Jennifer, ele fez seus dois maiores sucessos recentes: “Frances Há” (2012), que foi produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, e “Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe”, indicado à Palma de Ouro de 2016.

Em “História de um casamento”, Scarlett é Nicole, uma estrela dos palcos que largou uma promissora trajetória no audiovisual para ser a parceira de criação do diretor teatral Charlie, papel que pode dar o prêmio de melhor ator de Veneza a Driver. A briga dos dois pela custódia do filho rende sequências de desabafo capazes de causar engasgo. Laura Dern tem uma apoteose para si num posto de coadjuvante de luxo: ela é a advogada que vai defender Nicole no processo do divórcio. Já Charlie fica entre dois juristas: um advogado durão e brucutu, que um grisalho Ray Liotta encarna com perfeição, e um advogado fofo, mas atrapalhado, que Noah confiou ao mítico Alan Alda. “Ele é um jurista que não funciona, mas que vale à pena ser contratado pelo que é”, disse Noah, forte candidato aos prêmios de Veneza (o de roteiro, com certeza) e, dizem, ao Oscar.

Antes de “Marriage story”, Veneza caiu no debate sobre sexismo com uma produção da Arábia Saudita, de tons irônicos: “The perfect candidate”, da diretora Haifaa Al-Mansour. No páreo pelo Leão também, esta crítica ao machismo narra o périplo de uma jovem médica para ser eleita a um cargo administrativo público em seu país, pautado pela intolerância.

Veneza chega ao fim do no dia 7 de setembro, com a entrega de prêmios e a exibição fora de concurso do drama anglo-italiano “The Burnt Orange Heresy”, de Giuseppe Capotndi, com o rolling stone Mick Jagger no elenco.

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