‘Bacurau’ na boca de Marrakech: artistas sob ataque

‘Bacurau’ na boca de Marrakech: artistas sob ataque

Rodrigo Fonseca

30 de novembro de 2019 | 07h44

Foto de Victor Jucá dos sets de “Bacurau” com a produtora Emilie Lesclaux e os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Rodrigo Fonseca
Organizado sob a curadoria do jornalista alemão Christoph Terhechte, a 18ª edição do Festival de Marrakech arrancou na manhã deste sábado com uma curiosidade generalizada local sobre o surpreendente desempenho de “Bacurau” nas bilheterias nacionais (700 mil pagantes em três meses em cartaz), de carona na presença de Kleber Mendonça Filho no júri do evento. Até a presidente do time de jurados, a atriz inglesa Tilda Swinton (“Suspiria”) queria ouvia o que o diretor pernambucano tem a dizer sobre o clima de Idade Média em seu país.
“Cinema é questão de ser honesto, de escuta, de prestar atenção no Brasil e levar às telas o que está acontecendo. Os artistas brasileiros estamos sobre ataque o que abre uma oportunidade essencial pra gente se expressar e irritar quem nos ataca”, disse o realizador de “Aquarius” (2016) ao P de Pop, na coletiva de imprensa das atrizes, atores e cineastas que vão julgar os 14 longas-metragens em concurso no festival, inaugurado na noite de sexta com a projeção hors-concours de “Entre facas e segredos”.
“No Estado do Cinema, a liberdade impera”, disse Tilda. “Tive uma oportunidade honorável há dez anos de presidir o Festival de Berlim e ser maravilhada com um filme peruano, “A Teta Assustada”, que me revelou muito sobre diversidade. Nosso objetivo aqui é identificar as oportunidade de jogar luz sobre filmes que possam maravilhar o mundo, como foi o caso das produções magníficas da América Latina que eu vi lá em Berlim. Como é o caso do cinema de Kleber. Risco para mim é uma zona de conforto”.

Além de Tilda e de Kleber, o time de jurados conta com as diretoras Rebecca Zlotowski (francesa) e Andrea Arnold (inglesa), a atriz franco-italiana Chiara Mastroianni, o ator sueco Mikael Persbrandt, o escritor e diretor afegão Atiq Rahimi, o realizador australiano David Michôd e o cineasta marroquino Ali Essafi.
Em competição estão: “Dente de leite” (“Babyteeth”, Austrália), de Shannon Murphy; “Bombay Rose” (Índia), de Gitanjali Rao; “A febre” (Brasil), de Maya Da-Rin; “Last visit” (Arábia Saudita), de Abdulmohsen Aldhabaan; “Lynn + Lucy” (Reino Unido), de Fyzal Boulifa; “Mamonga” (Sérvia, Bósnia Herzegovina, Montenegro), de Stefan Malesevic; “Mickey and the Bear” (EUA), de Annabelle Attanasio; “Mosaic Portrait” (China), de Zhai Yixiang; “Nafi’s father” (Senegal), de Mamadou Dia; “Scattered night” (Coreia do Sul), de Lee Joh-young; “Sole” (Itália, Polônia), de Carlo Sironi); “Tlamess” (Tunísia), de Ala Eddine Slim; “The unknown saint” (Marrocos), de Alaa Eddine Aljem; e “Tantas almas” (Colômbia, Brasil), de Nicolás Rincón Gille.

Estrelas como Golshfiteh Farahani, Naomi Watts e Harvey Keitel vão passar pelo evento, que tem na celebração da memória de Robert Redford seu principal chamariz: o ator e diretor de 83 anos vai ganhar uma homenagem por sua trajetória artística. Uma das principais atrações vai ser a exibição da animação chinesa “Nº 7 Cherry Lane”, que deu ao cineasta Yonfan o prêmio de melhor roteiro em Veneza. O longa, que será projetado esta noite, constrói um panorama da China da Revolução Cultural a partir de uma história de amor. Esta tarde, Marion Cotillard vai dar uma masterclass no festival, falando sobre sua carreira e sobre o Oscar que ganhou, em 2008, por “Piaf – Um Hino ao Amor”.

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