‘Bacurau’ e ‘O traidor’ fazem a festa do Brasil na briga pela Palma de Ouro

‘Bacurau’ e ‘O traidor’ fazem a festa do Brasil na briga pela Palma de Ouro

Rodrigo Fonseca

18 de abril de 2019 | 11h06

Foto de Victor Jucá dos sets de “Bacurau” com a produtora Emilie Lesclaux e os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Rodrigo Fonseca
Gíria do subúrbio carioca para definir o ônibus que roda a madrugada toda, o termo “Bacurau” agora é sinônimo de brasilidade: a palavra é o título da produção pernambucana dirigida por Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho (mesmo time de “Aquarius”) que vai representar o cinema nacional na disputa pela Palma de Ouro de 2019. Com Sonia Braga e Udo Kier em seu elenco, o longa-metragem é um dos 19 concorrentes (o número deve subir pra 21) da seleção oficial do 72º Festival de Cannes (14 a 25 de maio), que inaugura sua maratona cinéfila com uma projeção, em concurso, da comédia de zumbis “The dead don’t die”, de Jim Jarmusch. Kleber e Dornelles narram a ebulição em uma cidade sertaneja após a morte de uma anciã e a chegada de uma equipe de cinema. Além da dupla, o DNA brasileiro corre pelas veias de uma coprodução do artesão autoral italiano Marco Bellocchio com os Irmãos Gullane, de SP: “O traidor”, com Maria Fernanda Cândido e Luciano Quirino no elenco. Ela vive uma das mulheres do mafioso Tommaso Buschetta.

Afinado com o pleito pelo empoderamento feminino, Cannes trouxe quatro diretoras para a competição: Céline Sciamma (“Portrait de la jeune fille en feu”), Mati Diop (“Atlantique”), Jessica Hausner (“Little Joe”) e Justine Triet (“Sybil”). Juntam-se a elas titãs como Ken Loach, Pedro Almodóvar, Terrence Malick e os Irmãos Dardenne.

Eis a lista de concorrentes:
Jim Jarmusch (“The dead don’t die”) – Filme de abertura
Mati Diop (“Atlantique”)
Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (“Bacurau”)
Céline Sciamma (“Portrait de la jeune fille en feu”)
Marco Bellocchio (“O traidor”)
Jessica Hausner (“Little Joe”)
Ken Loach (“
Justine Triet (“Sybil”)
Terrence Malick (“A hidden life”)
Bong Joon-ho (“Parasita”)
Jean-Pierre e Luc Dardenne (“Le jeune Ahmed”)
Corneliu Porumboiu (“La gomera”)
Xavier Dolan (“Matthias & Maxine”)
Arnaud Desplechin (“Roubaix, une lumière”)
Diao Yi’nan (“The wild goose lake”)
Elia Suleiman (“It must be Heaven”)
Ira Sachs (“Frankie”)
Ladj Ly (‘Les misérables”)
Pedro Almodóvar (“Dolor y Glória”)

Maria Fernanda Cândido em cena de “O traidor” (“Il traditore”) no Rio de Janeiro. Foto de @Marcio Amaro/ Divulgação

Vai ter o brilho de Fernanda Montenegro na Croisette também: a veterana atriz integra o elenco de “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, dirigido pelo cearense Karim Aïnouz e produzido pelo carioca (radicado em SP) Rodrigo Teixeira. É um dos títulos mais esperados da mostra paralela Un Certain Regard. Este drama aborda a saga de duas irmãs que tomam caminhos distintos. Dizem que é o trabalho mais inspirado do realizador de “O céu de Suely” (2006). Na mesma seção, paralela à caça pela Palma dourada, entrou um longa americano também com a grife de Teixeira: “Port Authority”, de Danielle Lessovitz, produzido em parceria com um mito, o diretor Martin Scorsese.

Outras atrações notáveis para o evento: Bruno Dumont leva “Joan of Arc” à Un Certain Regard, onde Christophe Honoré exibe seu novo trabalho, “Chambre 212”. Na mesma seara, vai ter um longa de animação: “The swallows of Kabul”, de Zabou Breitman e Eléa Gobbé-Mevellec. Já na mostra Special Screenings, Werner Herzog volta à Croisette com “Family Romance, LLC”.

Para as seções paralelas, com projeção hors-concours, Cannes assegurou a presença do mito do rock e do cancioneiro romântico Elton John. Ele vai ser convidado de honra de sua biopic,  “Rocketman”, dirigida por Dexter Fletcher nos moldes do fenômeno “Bohemian Rhapsody”. Esta biopic musical do cantor de “Your song” será exibida com a presença dele no Palais des Festivals. Esta semana, a Paramount Pictures exibiu 15 minutos do filme no Rio: pelo pouco que se viu, a atuação de Taron Egerton é um convite ao Oscar, assim como a de Jamie Bell como Bernie Taupin.

Preparando uma projeção de uma cópia inédita de “O iluminado”, a ser comentada por um fã ilustre, o diretor mexicano Alfonso Cuarón (de Roma”, Cannes vai atribuir uma Palma de Ouro honorária ao ator francês Alain Delon, hoje com 83 anos. Outra atração muito esperada deste festival é a exibição de episódios da série “Too old to die young”, do dinamarquês Nicolas Winding Refn.

No dia 23 de abril, a Quinzena dos Realizadores anuncia suas atrações: seu filme de abertura será “Deerskin”, de Quentin Dupieux, com Jean Dujardin, e seu homenageado vai ser o mestre do terror John Carpenter, realizador de “Halloween” (1978) e outros cults. Nesta segunda, é a  Semana da Crítica quem vai anunciar seus filmes. Ela terá o colombiano Ciro Guerra como seu presidente de júri. Para a seção Cannes Classics, há uma aposta numa projeção de gala de “Easy Rider” (1969), com a presença de Jack Nicholson.

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