Aznavour para sempre.doc

Aznavour para sempre.doc

Rodrigo Fonseca

11 de setembro de 2020 | 12h30

Rodrigo Fonseca
Entre viagens pela África, a Ásia e os EUA, em meio a amores que vão e amadas que ficam, no fluxo do reencontro com suas origens armênias, regada nos acordes de “Vetchnai lioubov”, Shahnour Vaghinag Aznavourian (1924-2018), aka Charles Aznavour, registrou ao longo de 34 anos os bastidores de uma vida dedicada ao prazer de cantar… e à arte de saber viver. Esses registros, feitos numa câmera Paillard-Bolex recebida como um presente na época em que se apresentava com Édith Piaf (1915-1963), foram reunidos e decantados pelo cineasta Marc di Domenico em forma de um documentário. Num gesto de generosidade digna de grandes artistas, o cineasta define “Le Regard de Charles” como “um filme de Aznavour realizado por Domenico”. Esta noite, quem surfar na web, vai conseguir conferir o memorialismo do cantor e se deixar comover por canções como “Hier Encore” no site www.in-edit-brasil.com. A partir desta sexta-feira, a Imovision, em parceria com o Festival l IN-EDIT BRASIL, vai disponibilizar este doce .doc a R$ 3, por 72 horas. As sessões serão nesta sexta, neste sábado e no domingo, em sessões às 18h. Toda a receita arrecadada pela mostra será revertida em prol de trabalhadores da música e do cinema afetados pela pandemia. Receberão a receita o Conexão Música, fundo criado e gerido por músicos e produtores independentes de São Paulo, e o FAPAN – Fundo de Amparo aos Profissionais do Audiovisual Negro, gerido pela APAN. Quem dá voz às anotações de Aznavour é o ator Romain Duris (aclamado em “De Tanto Bater Meu Coração Parou”). A produção foi um dos longas mais disputados por distribuidores internacionais na 22ª edição do Rendez-Vous Avec Le Cinéma Français, em Paris.

Em 2017, Aznavour veio ao Brasil para um par de shows, em em São Paulo, no Espaço das Américas, e no RJ, no Vivo Rio. Na ocasião, ele conversou com o P de Pop sobre sua longeva aposta em hits como “Que C’est Triste Venise” e “Et Pourtant”. “Canto aquilo que os corações desejam. Desde os anos 1950, o meu repertório sempre foi uma mistura de canções sociais com músicas românticas, construído com a certeza de que você não pode impor um hit ao público: um sucesso se cria pelo gosto e pelo afeto das plateias. Com frequência, as minhas canções que melhor foram aceitas falam de romantismo, como “She” ou “Venecia Sin Ti”, que ainda funcionam mesmo depois de 50 anos de sua composição, por aquilo que retratam: a aposta no querer. A permanência dessas músicas prova que mesmo neste mundo cínico e materialista em que vivemos os sentimentos ainda são capazes de tocar as pessoas. Não há como fugir delas”, disse o cantor, que tem sua história de luta (contra o moralismo e contra questões política da Europa com a Armênia, a pátria de seus ancestrais, abordadas no .doc de Domenico. “Atuei em cerca de dezenas de filmes, em participações diversas, com destaque para ‘Atirem no pianista’, de meu eterno amigo Truffaut. Mas, na velhice, passei a recusar o cinema, pela dificuldade de memorizar diálogos. As canções já povoam a minha cabeça”.

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