Autor de ‘Zulu’ bate ponto na Flupp, um bunker literário na defesa da inclusão

Autor de ‘Zulu’ bate ponto na Flupp, um bunker literário na defesa da inclusão

Rodrigo Fonseca

03 de novembro de 2015 | 13h21

Forest Whitaker e Orlando Bloom são tiras na África do Sul de

Forest Whitaker e Orlando Bloom são tiras na África do Sul de “Zulu”, thriller inspirado em romance de Caryl Férey, um dos destaques da Flupp, iniciada hoje no Leme, no Rio

Novo midas da literatura policial francesa (ou polar, como eles chamam no Velho Mundo), Caryl Férey vai falar sobre prosa, violência, viagens pelo mundo e exclusão em solo brasileiro: nesta quarta-feira (dia 4), às 14h, no Complexo Babilônia/Chapéu Mangueira, no Leme, Rio de Janeiro, ele divide uma mesa de debates com o israelense Ronny Someck na programação da Festa Literária das Periferias (Flupp). Célebre para além do universo das Letras graças a uma adaptação cinematográfica estrelada por Forest Whitaker e Orlando Bloom, Zulu é o lançamento mais recente de Férey nas livrarias brasileiras e sua trama de investigação, ambientada nas catacumbas do Apartheid na África do Sul, conecta o escritor diretamente com a realidade carioca das favelas – um dos focos da Flupp. A criação e coordenação do evento – agora em sua quarta edição, iniciada nesta terça-feira, dia 3, e com encerramento agendado para o dia 8 de novembro – é fruto da dupla Écio Salles e Julio Ludemir, este um romancista consagrado por mergulhos nas memórias do Comando Vermelho e facções afins.

“A Flupp afirma uma identidade pop num diálogo com as novas narrativas, trazendo autores que pensam games, quadrinhos, batalhas de poesia… mas também dando espaço a romancistas no nível da prosa clássica, como o alemão Uwe Timm. É uma mistura que tenta caçar novos formatos para o nosso evento”, diz Ludemir, autor de livros seminais como Lembrancinha do Adeus. “Faz uma festa como esta não significa deslocar para o morro um modelo que dá certo no asfalto. Precisamos estar abertos às demandas do público que está aqui. E a favela é pop, por essência”.

A vinda de Férey chama a atenção para o fato de a versão cinematográfica de seu Zulu ter sido esnobada pelos exibidores brasileiros, embora tenha sido a atração de encerramento do Festival de Cannes de 2013. No longa, dirigido por Jérôme Salle, Whitaker e Bloom interpretam tiras de temperamentos distintos que unem forças na investigação do assassinato de uma jovem numa Cidade do Cabo em fervura total. No Brasil, o livraço de Férey saiu pelo selo Vestígio do grupo editorial Autêntica.

O panteão de atrações da 4ª Flupp reúne ainda o escritor escocês Alan Campbell, que já trabalhou como desenvolvedor de games, e o já citado prosador germânico Uwe Timm, conhecido aqui por A invenção da Currywurst. Entre os nomes nacionais, destaque para o navegador Amyr Klink, o deputado federal Jean Wyllys e o cientista Rogerio Rosenfeld.

p.s.: Falando em eventos, de 11 a 15 de novembro (ou seja, logo aí, já na semana que vem), a Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, Minas Gerais, vai sediar a 9ª edição do FIQ, a bienal nacional de histórias em quadrinhos. O FIQ trará ao país criadores do quilate de Gail Simone, autora de Red Sonja e de Mulher-Maravilha, e de Howard Chaykin, quadrinista responsável por Black Kiss e American Flagg, dois marcos dos anos 1980. Vem ainda Marguerite Abouet, autora da Costa do Marfim premiada por Aya de Yopougon, e, direto da França, chega Philippe Ôtié, roteirista de Uma Vida Chinesa, agora em vias de virar desenho animado.

“American Flagg” demarca a genialidade de Howard Chaykin

p.s.2: Ainda no terreiro de happenings, a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que chega ao fim nesta quarta-feira (dia 4), inicia no dia 5 (quinta) itinerância pelo Rio de Janeiro, com uma seleta de longas-metragens concentrada no Espaço Itaú, em Botafogo. Virão para cá os três volumes do projeto de seis horas As Mil e Uma Noites, do português Miguel Gomes (o primeiro passa dia 5 e os outros dois no dia 6, a partir das 19h); Coração de Cachorro, de Laurie Anderson (no dia 7, às 21h30m); o belo Sabor da Vida, de Naomi Kawase (dia 8, às 21h30m); e O Botão de Pérola, de Patrício Guzmán (dia 11, 19h), sendo este o vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Berlim, em fevereiro.

O diretor Miguel Gomes em cena em

O diretor Miguel Gomes em cena em “As 1001 Noites”

p.s.3: 007 que se cuide porque Zé Pequeno está de volta e na cola de Spectre: no mesmo dia (5/11, esta quinta-feira) da estreia do novo James Bond, o cinema nacional arrumou uma vaguinha em circuito para Cidade de Deus – 10 Anos Depois, de Luciano Vidigal e Cavi Borges. Apesar do atraso de três anos em relação da data indicada em seu título, o documentário sobre o impacto mundial do cult de Fernando Meirelles foi iniciado em janeiro de 2012, rodou as telas do Festival do Rio 2013 e só agora estreia.

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