Atriz chinesa dirige a maior bilheteria de 2021

Atriz chinesa dirige a maior bilheteria de 2021

Rodrigo Fonseca

02 de setembro de 2021 | 11h57

Jia Ling estrela e dirige “Hi, Mom” (“Ni hao, Li Huan Ying”)

Rodrigo Fonseca
Em meio à estreia de “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”, a indústria cinematográfica vive um flerte com a Ásia, sobretudo, com a China, buscando lá novos talentos e novas dramaturgias, em um momento e que uma comediante chinesa, Jia Ling, está no topo do pódio das maiores bilheterias internacionais de 2021. Aos 39 anos, a atriz e cineasta ganha de lavada sua concorrência, na disputa pelo posto de filme mais assistido do ano – até aqui – à força dos US$ 822 milhões que acumulou – só em seu país – com “Hi, Mom” (“Ni hao, Li Huan Ying”), que dirigiu e estrelou. A tradução literal seria “Oi, mamãe”. Na trama, uma jovem (a própria Jia) viaja ao passado, até 1981, sem saber como, e trava amizade com a versão adolescente de sua mãe, ajudando-a a superar um trauma. A base do roteiro, segundo a realizadora, é um esquete de sua autoria, “Hello, Li Huan Ying”, escrito para seus shows e seus programas de stand-up comedy, inspirado por questões biográficas. Lançado em Pequim e arredores e estendido para circuitos de Hong Kong, Austrália e Nova Zelândia, essa comédia fantástica faz sucesso à força do carisma de Jia, que interpreta a viajante no tempo. É um enredo que poderia ser refeito por Ingrid Guimarães e Larissa Manoela mole, mole. Sua narrativa é leve que nos arrebata pelo investimento na carência, nos afetos maternos.

Logo abaixo de “Hi, Mom”, no ranking das maiores arrecadações de 2021, quem bate ponto é o nono tomo da franquia “Velozes & Furiosos”, com US$ 704 milhões em sua receita. Vin Diesel se firma como o astro americano de maior popularidade nas telonas, uma vez mais. Porém não parece haver interesse da China em deixar emissários de Hollywood na liderança da venda global de ingressos, uma vez que o número 3 do ranking é “Detective Chinatown 3”, trama gestada na província de Shenyang, de onde vem o diretor Chen Sicheng. Embora se passe em Tóquio, no Japão, essa aventura detetivesca é chinesa. Sua renda até agora: US$ 686 milhões. As demais posições do hit parede do cinema internacional é lotado de estúdios hollywoodianos: em 4º lugar está “Godzilla vs. Kong” (com US$467 mihões); em 5º, “Viúva Negra” (US$ 371 milhões); em 6º, “Um Lugar Silencioso II” (US$ 296 milhões); e em 7º, “Cruella” (US$ 222 milhões); em 8º, “Invocação do Mal 3” (US$ 201,9 milhões).

Para a nona posição, entre os dez maiores arrasa-quarteirões do mercado exibidor, a China regressa, com “Chinese Doctors”, sobre a tropa de médicos que encararam a covid-19 no início da pandemia. “Jungle Cuise”, da Disney, com Emily Blunt e Dwayne The Rock Johnson, vem na décima posição. Eles tentam virar o jogo em prol dos Estados Unidos, faturando cerca de US$ 186 milhões. Mas, logo em 11º, está o diretor chinês de maior prestígio dos últimos 30 anos: Zhang Yimou. Ele está no comando do frenético thriller de espionagem “Impasse”, que já papou cerca de US$ 181 milhões ente os pagantes de sua pátria. É Yimou quem vai abrir o 69º Festival de San Sebastián, no dia 17 de setembro, com “One Second”, o que deve ampliar seu prestígio popular. No enredo, um prisioneiro é enviado a um campo de trabalho no noroeste desolado da China durante a Revolução Cultural do país. Usando sua inteligência, e com o único propósito de ver um noticiário contendo um vislumbre de sua filha, ele escapa e se dirige para o cinema em uma cidade local. Lá, ele espera encontrar o tal rolo de filme e conseguir um contato com a menina. Mas no caminho, ele encontra uma jovem que se apodera do carretel e foge com ele. Curiosamente, este objeto enigmático, que ambos cobiçam por razões muito diferentes, vai se tornar a semente de uma amizade inesperada.

p.s.: O projeto Niterói em Cena RESISTE!, que tem o objetivo de fomentar a produção artística na pandemia e pós-pandemia, lança o Programa de Capacitação em Teatro Virtual, que terá inscrições abertas a profissionais de teatro de todo o país de 6 a 22 de setembro. O curso, que vai apresentar possibilidades artísticas e ferramentas do teatro online, contará com aulas dos diretores Juracy de Oliveira, Miwa Yanagizawa, Rodolfo García Vázquez e da atriz e publicitária Letícia Neiva. Serão oferecidas 30 vagas, sendo 10 para residentes de Niterói e 20 para moradores das demais cidades do Brasil, com bolsas equivalentes a 340 euros (valor total) por aluno. No fim do período, obras criadas pelos alunos farão parte de um festival de teatro virtual, realizado em janeiro. O regulamento e o resultado serão publicados em www.niteroiemcena.com.br. O projeto é patrocinado com recursos do Fundo Internacional de Ajuda para Organizações de Cultura e Educação 2021 do Ministério das Relações Exteriores da República Federal da Alemanha, do Goethe-Institut e de outros parceiros. ““O Niterói em Cena tem em seu DNA a preocupação com o desenvolvimento artístico de atores, novos diretores e técnicos teatrais. Esta nova experiência de formação vai fazer com que ampliemos nossos esforços na capacitação de artistas mais sensíveis e atuantes. Para isso, escolhemos profissionais gabaritados, com experiências bem-sucedidas no teatro virtual”, observa o diretor do projeto, Fabio Fortes, que também assina a direção do Festival Niterói em Cena.

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