‘Astérix’, animação francesa padrão blockbuster

‘Astérix’, animação francesa padrão blockbuster

Rodrigo Fonseca

18 de setembro de 2019 | 21h07


RODRIGO FONSECA
Inimigo jurado dos romanos há seis décadas, Astérix vai enfim celebrar seus 60 anos de êxito editorial em circuito exibidor brasileiro, depois de ter vendido 3,7 milhões de ingressos em sua França natal, entre dezembro de 2018 e janeiro deste ano. A dupla de cineastas Louis Clichy e Alexandre Astier assina a nova aventura cinematográfica do herói tamanho PP criado em 1959, na revista “Pilote”, pelo roteirista René Goscinny pelo desenhista Albert Uderzo. Hilário, “Astérix e o segredo da poção mágica” estreia nesta quinta no Brasil, com fome de sucesso. A trama narra o empenho do druida Panoramix em encontrar um substituto, tendo como potenciais candidatos um certo cabeludo nazareno capaz de multiplicar pães. No Brasil, Gregório Duvivier dubla Astérix e Leonardo José faz a voz de Panoramix. Lá fora, Christian Clavier, Guillaume Briat e Alex Lutz integram o elenco de vozes do filme. Clichy conversou por e-mail com o P de Pop para falar de sua versão para este clássico dos gibis. Eis suas reflexões:

Que tipo de heroísmo Astérix representa?
Louis Clichy:
Astérix é um herói cujo estilo gráfico se alinha com a moda da Bélgica nas HQs. Ele ficou muito popular no Pós-Guerra, por fazer referência à ação da Resistência Francesa. Existe muita ironia em relação à cultura da França. É um personagem que impõe um desafio: fazer com que essa figura demonstre diferentes sentimentos. Mas ainda que o gaulês seja muito conhecido mundialmente, em nosso filme, o nosso primeiro interesse foi dialogar com as plateias francesa, antes de tudo. Pode soar egoísta, mas era uma afirmação.
Como sua relação com os quadrinhos de René Goscinny e Albert Uderzo de começou?
Louis Clichy:
Foi tarde. Não tinha muitas HQs em casa. Descobri ele pela TV, em desenhos. Só depois eu li seus quadrinhos. Eu nunca fui um dos fãs ardorosos, o que me deu distanciamento.
Como foi dominar a gramática de Goscinny e Uderzo?
Louis Clichy:
Já na criação dos personagens, René Goscinny e Albert Uderzo queriam fazer deles desenho animado, mas, pela dificuldade com os custos, eles acabaram transformando aquele projeto em quadrinho. Uderzo é um fã de Disney: Astérix foi idealizado com a proporção de Mickey. Não foi exigido de nós transpor o herói para uma animação em CGI. E nem houve a obrigação de seguir o estilo de Goscinny.
Qual foi o principal desafio técnico imposto ao cinema francês por este esforço de “atualizar” visualmente a estética dos heróis gauleses das HQs dos anos 1950?
Louis Clichy
: O maior desafio foi não usar o CGI para fazer algo realista. Com uma marca como Astérix, o ideal é voltar ao grafismo dos quadrinhos originais, ainda que da nossa maneira. Uma rocha que é arremessada não pode ser uma rocha real e sim uma rocha do universo de cores de Astérix. E nem há como competir com a animação americana. Não temos o orçamento deles e nem fazemos testes de audiência. Tivemos o corte final do filme, com liberdade total.

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