As atrações imperdíveis do Festival Varilux: um menu de delícias francesas

As atrações imperdíveis do Festival Varilux: um menu de delícias francesas

Rodrigo Fonseca

29 de maio de 2016 | 14h34

Dirigido pelo ator Roschdy Zem,

Dirigido pelo ator Roschdy Zem, “Chocolate” comoveu plateias em toda a Europa com Omar Sy na pele do primeiro astro circense negro da França: no pacote do Varilux

Principal vitrine para as inovações audiovisuais francesas no Brasil, o Festival Varilux encheu seu tambor de munição sofisticada em sua edição 2016, agendada entre de 8 a 22 de junho em diferentes cidades do país, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, com aquela que aparenta ser sua melhor seleção até aqui, a começar por Chocolate, de Roschdy Zem. Só este drama de tintas cômicas e lúdicas, com Omar Sy (de Intocáveis) no papel do primeiro astro circense negro da França, já seria suficiente para tornar obrigatório o evento organizado sobre a curadoria de Christian Boudier, com direito a uma apresentação de Um Homem, Uma Mulher (1966) comemorativa das cinco décadas do sucesso de Claude Lelouche. Mas o pacote de boas escolhas vai muito além dessa ida ao circo, conduzida com elegância por Zem, um ator campeão de bilheteria e diretor bissexto que está na lista de convidados da França com passagem assegurada para visitar os cinéfilos brasileiros.

Passando a lista de atrações do Varilux em revista, não se pode perder:

“Meu Rei”: prêmio de melhor atriz em Cannes

Meu Rei (Mon Roi), de Maïwenn: Quindim da indústria e da crítica europeia, a modelo, atriz, cineasta e delícia Maïwenn Le Besco faz aqui um ensaio comovente sobre a vida a dois a partir da relação entre um empresário egoísta (Vincent Cassel) e a mulher que abre mão de tudo em amor a ele, vivida por Emmanuelle Bercot. O desempenho dela foi laureado com o prêmio de melhor atriz em Cannes, em 2015.

“Um Amor à Altura”: Dujardin diminuto

Um Amor à Altura (Un Homme à La Hauteur), de Laurent Tirard: Realizador campeão de bilheteria com a franquia de O Pequeno Nicolau, o cineasta Laurent Tirard tira troça da beleza do astro Jean Dujardin (oscarizado por O Artista), fazendo dele um homem de estatura diminuta às voltas com a obsessão de certas mulheres por um tipo mais apolíneo de beleza. Esta comédia vendeu meio milhão de ingressos em duas semanas na França. A base do projeto foi o filme argentino Coração de Leão – O Amor Não Tem Tamanho (2013), de Marcos Carnevale.

“Abril e o Mundo Extraordinário”: arte de Tardi

Abril e o Mundo Extraordinário (Avril et le Monde Truqué), de Christian Desmares, Franck Ekinci: Ganhador do troféu Cristal de melhor filme no Festival de Annecy, uma espécie de Cannes da animação, esta produção carregada de ritmo e de adrenalina revolve o traço de Jacques Tardi para narras as peripécias de uma menina em busca dos país numa França que preservou ranços do século XIX. O longa traz uma direção de arte de beleza plástica ímpar.

“Les Cowboys”: rastros de ódio e de western

Os Cowboys (Les Cowboys), de Thomas Bidegain: Um dos filmes mais virulentos do Festival de Cannes de 2015, esta produção marca a estreia na direção do prolífico roteirista Thomas Bidegain (Ferrugem e Osso), propondo uma espécie de Rastros de Ódio em versão francófona e contemporânea. Na trama, um pai de família, ligado à cultura country, mergulha num universo de violência em busca da filha desaparecida, levando seu filho como único aliado.