‘Arábia’ reafirma a Tiradentes a potência do cinema de MG

‘Arábia’ reafirma a Tiradentes a potência do cinema de MG

Rodrigo Fonseca

20 Janeiro 2018 | 16h02

“Arábia”, Candango de Melhor Filme de Brasília, em 2017, será exibido em Tiradentes neste sábado

Rodrigo Fonseca
Depois de décadas como vedete da videoarte e de documentários híbridos entre filme, artes plásticas e instalação, Minas Gerais agora divide com Pernambuco e com o Ceará o protagonismo na seara da invenção e da potência narrativa no Cinema Brasileiro. É só dedilhar o catálogo de programação da Mostra de Tiradentes, na ativa até 27 de janeiro, para conferir as pérolas locais que estão por vir, inclusive na seção Aurora, a menina dos olhos do festival, no qual se impõe com a sigla MG os longas-metragens, Baixo Centro e IMO, ambos em concurso pelo troféu Barroco. Mas tem algo mais. Um dos filmes nacionais de maior visibilidade em solo estrangeiro em 2017, o drama Arábia, com sotaque mineiro, vai pedir passagem pela telona da tenda da Mostra de Tiradentes neste sábado, no calor de esturricar que coroa a 21ª edição do evento. Dirigida pela dupla Affonso Uchoa e João Dumans, esta narrativa de travessia pautada pela errância da memória correu o mundo por conta dos elogios que ganhou de passagem pelo Festival de Roterdã, na Holanda, no início do ano passado. Foi aplaudido em mostras em San Sebastián, na Espanha, Karlovy Vary, em solo tcheco, e Cuba, no Festival de Havana. O longa-metragem ainda comprovou sua habilidade de dialogar bem com plateias nacionais ao ser eleito melhor filme no 50º Festival de Brasília, saindo de lá com troféus em outras três categorias – Ator (Aristides de Sousa), Montagem e Trilha Sonora -, além de ter conquistado o Prêmio da Crítica.

“Uchoa e Novaes são dois dos maiores diretores em inicio de filmografia de longa não apenas no Brasil”, elogiou Cléber Eduardo, um dos curadores de Tiradentes, em recente entrevista ao site Omelete.

Na trama de Arábia, o jovem André (Murilo Caliari) encontra o caderno de memórias de Cristiano (Aristides), metalúrgico hospitalizado. Por meio dele, o menino conhece sua trajetória atravessada por afetos, pela necessidade de sobreviver e pelo amor, emoldurada por relações de trabalho nas diversas paisagens mineiras.

“Esse filme é um épico de eventos banais, com o silêncio traduzindo a autodescoberta, o olhar pra dentro”, diz Uchoa, cineasta de 33 anos nascido em Cotagem (MG), que se prepara para lançar Arábia comercialmente a partir do fim de março. “Minas é um local de interior, de ‘dentro’, onde o trabalho é parte da nossa identidade”

Começa neste sábado a seleta de curtas-metragens de Tiradentes, que sobre ao ringue com um peso-pesado de DNA mineiro: Nada, uma produção exibida (e aclamada pela crítica europeia) em sua passagem pelo Festival de Cannes, em maio. O filme promete arrancar gargalhadas e reflexões sobre os rumos da juventude ao assumir como personagem uma jovem que se recusa a prestar o Enem. A direção é de Gabriel Martins, que alterna o uso de intérpretes não profissionais com atrizes do naipe de Karine Teles, atualmente bombando em Sundance com Benzinho.