Apostas para Cannes em 2016

Apostas para Cannes em 2016

Rodrigo Fonseca

24 de março de 2016 | 19h15

George Clooney em “Jogo do dinheiro”, de Jodie Foster

Especula-se na mídia europeia que, nesta Sexta-feira da Paixão, o Festival de Cannes vai divulgar o longa-metragem de abertura de sua 69ª edição, agendada de 11 a 22 de maio, tendo um fotograma de O Desprezo (1963), de Godard, como inspiração de seu cartaz. De acordo com o site Awards Daily, que faz uma triagem de todos os prêmios cinematográficos, o thriller Jogo do Dinheiro (Money Monster), de Jodie Foster, já é atração garantida, tendo George Clooney como uma espécie de Pedro Bial de um reality show financeiro. Julia Roberts está em cena com ele. Há quem aposte em Jodie para abrir o evento e há quem aposte em Procurando Dory, da Pixar, por resgatar a peixinha desmemoriada do fenômeno popular da Disney Procurando Nemo (2003).   

Murilo Benício estrela

Murilo Benício estrela “Animal Cordial”

Até agora não foram divulgados os concorrentes à Palma de Ouro de 2016, que vai ter o cineasta australiano George Miller, o realizador do oscarizado Mad Max: Estrada da Fúria, como presidente do júri. Mas já há uma torcida envolvendo a ida do Brasil a Cannes. Os longas brasileiros mais cotados são Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida; Vazante, de Daniela Thomas; Era El Cielo, de Marco Dutra; e O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues. Outros dois títulos nacionais que podem entrar em algumas das seleções do evento são Redemoinho, de José Luiz Villamarim, e O Filme da Minha Vida, de Selton Mello, que traz o francês Vincent Cassel no elenco.

Lucrecia Martel é a diretora de

Lucrecia Martel é a diretora de “Zama”

Ainda na seara latino-americana, Zama, da cultuada argentina Lucrecia Martel, deve cavalgar pela Croisette levando na sela o ator brasileiro Matheus Nachtergaele. A produtora Banaeira Filmes, de Vânia Cattani, foi essencial para a equalização do projeto de levar o romance de Antonio di Benedetto às telas. O chileno Pablo Larraín (de No) está finalizando Neruda, sobre o poeta homônimo doidinho para concorrer na Croisette. O mexicano Amat Escalante também vai regressar ao balneário, de onde saiu laureado melhor diretor em 2013 por Helí, agora com La Region Salvaje.

Pedro Almodóvar regressa com

Pedro Almodóvar regressa com “Julieta

No âmbito das tradições hispânicas, Pedro Almodóvar, o maior cineasta espanhol em atividade, já é dado como concorrente obrigatório com o drama Julieta. Queridinho de Cannes, o canadense Xavier Dolan (Mommy) também deve dar as caras por lá com Juste la Fin du Monde, baseado na peça homônima de Jean-Luc Lagarce. Artesão da imagem, há tempos carente de um reconhecimento à altura de seu histórico de vitórias, o holandês Paul Verhoeven também tem aparecido em todos os prognósticos de Cannes com o thriller de suspense Elle, protagonizado por Isabelle Huppert. Tensão também aparece na receita nipo-francesa de La Femme de la Plaque Argentique, de Kyioshi Kurosawa, o Brian De Palma do Japão. Ele agora junta Olivier Gourmet e Tahar Rahim numa trama de fantasia, rodada nos arredores de Paris.

 

Fala-se muito também de Rester Vertical, de Alain Giraudie. Ganhador do prêmio de melhor diretor da seção Un Certain Regard de 2013, com o belo Um Estranho no Lago, Giraudie regressa às telas propondo um road movie pela França profunda. A trama acompanha a crise criativa e afetiva de um cineasta, Léo (vivido por Damien Bonnard), que se embrenha país adentro à cata de paz e ideias. Outro título cada vez mais quente é Fotografia de Família, de Cristian Mungiu. Pilar da chamada Primavera Romena, a leva de filmes que repaginou o lugar da Romênia na história do audiovisual, com obras hipernaturalistas, abertas ao humor negra, o ganhador da Palma de Ouro de 2007, por 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias prepara sua volta à telona com uma história sobre paternidade. Com base sua própria experiência, ele narra a relação de um médico com seu filho, levando em conta o quanto suas atitudes podem servir de modelo a sua prole. A trama se passa numa pequena vila, onde todos se conhecem. Mas apesar de toda a familiaridade entre seus habitantes, alguns segredos deles podem vir à tona e surpreender a todos.

Javier Bardem nos bastidores de

Javier Bardem nos bastidores de “The Last Face”

Dois atores diretores que já trabalharam estão também nos sonhos da Croisette. Clint Eastwood está lapidando o drama Sully, com Tom Hanks no papel de um piloto que orquestrou um pouso de emergência nas águas do Rio Hudson. Já Sean Penn finalizou The Last Face com Javier Bardem e Charlize Theron (xodó de George Miller) às voltas com uma revolução na África, temperada a muita polêmica.

Kusturica e Monica Bellucci em

Kusturica e Monica Bellucci em “On the Milky Road”

Figuras cativas de Cannes, ganhadores de duas Palmas, por A Criança (2005) e Rosetta (1999), os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne buscam um terceiro troféu dourado com La Fille inconnue, sobre uma jovem médica que corre atrás de informações sobre uma moça a quem não conseguiu salvar. Também dono de duas Palmas e de um prestígio autoral singular, o sérvio Emir Kusturica regressa aos longas de ficção após um hiato de nove anos com On The Milky Road, no qual contracena com a delícia italiana Mônica Bellucci. Já que as belezas da Itália foram evocadas, um talento recente de lá, Luca Guadagnino tem a meta de fazer Cannes sacolejar de medo com seu remake de Suspiria, feito como um tributo a Dario Argento. Também da terra de Fellini, o mestre Marco Bellocchio deve competir com Fai Bei Sogni.

“The Neon Demon”, do diretor de “Drive”

Patrimônio autoral da Ásia, o coreano Park Chan-wook investe no erotismo em The Handmaiden, thriller já desejado pela curadoria de Thierry Frémaux, o Senhor Cannes. Máquina de filmar, o japonês Hirokazu Kore-Eda deve competir mais uma vez com After the Storm. E, por fim, na lista de atrações temos Ma Loute, de Bruno Dumont; Weightless, de Terrence Malick; Neon Demon, de Nicolas Winding Refn; A Luz entre Oceanos, de Derek Cianfrance; Loving, de Jeff Nichols; e The Beautiful Days of Aranjuez, de Wim Wenders.

 

Cannes promete. Como sempre.

 

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