Apostas autorais do cinema pra 2021

Apostas autorais do cinema pra 2021

Rodrigo Fonseca

06 de janeiro de 2021 | 11h34

RODRIGO FONSECA
Em meio às comemorações dos 80 anos de Hayao Miyazaki, na terça, a notícia de que ele pode lançar sua nova animação, “How Do You Live?” (“Kimitachi wa dô ikiru ka”), até dezembro, deu ainda mais viço ao circuito de apostas autorais para o cinema em 2021, regado de pérolas das mais variadas latitudes, incluindo Hollywood. De lá vem, no dia 7 de maio, o filme solo da Viúva Negra, com Scarlett Johansson, e ainda tem o 007 inédito: “Sem Tempo Para Morrer”, apontado para abril. Acabou que o “Um Príncipe em Nova York 2” (“Coming 2 America”) vai parar na “streaminguesfera”, via Amazon Prime, em março. Mas tem Stallone novo (“Samaritan”), tem Michael B. Jordan no universo do mega-seller Tom Clancy (“Without Remorse”) e tem Vin Diesel em “Velozes & Furiosos 9”. A França vai chegar tinindo nas telas, após as múltiplas escoriações que a pandemia deixou em seu circuito exibidor, faminta para lotar suas salas de exibição e os cines do mundo todo. Para ajudá-la em seus planos, a terra de Truffaut conta com uma maratona promocional de suas estéticas audiovisuais: o Rendez-Vous Avec Le Cinéma Français. Esse fórum de promoção vai inaugurar sua 23ª edição no dia 13 de janeiro, com o intuito de badalar produções que prometem mobilizar milhares de pagantes e arrebatar prêmios 2021 afora. O evento da Unifrance – órgão governamental responsável pela circulação mundial de filmes feitos em Paris, Marselha, Nice e arredores – conta com cerca de 90 títulos e vai rolar via Zoom. Confira a seguir sete apostas:

O tailandês Apichatpong Weerasethakul dirige Tilda Swinton em “Memória”, aventura metafísica na Colômbia

“LAND”, DE ROBIN WRIGHT: A genial estrela de “House of Cards” – em cartaz em “Wonder Woman 1984” como Antiope a treinadora da Mulher-Maravilha – estreia na direção narrando o périplo de uma mulher afetivamente fraturada que vai aos cafundós do Wyoming para poder se reinventar numa vida silvestre, ligada à Natureza. O mexicano Demián Bichir está com ela em cena. No próximo dia 31, o longa estreia em Sundance.
“LINGUI”, DE MAHAMAT-SALEH HAROUN: O aclamado realizador chadiano volta às talas para narrar as angústias de uma mãe muçulmana às voltas com o desejo de sua filha adolescente, grávida, de fazer um aborto. Haroun ganhou fama mundial há dez anos, ao conquistar o Prêmio do Júri de Cannes com “O Homem Que Grita”. À época, 2010, ele era o único diretor de longas de ficção em atividade no Chade. Hoje, é um dos nomes mais aclamados do continente africano quando se pensa em cinema.
“COMMENT JE SUIS DEVENU SUPER-HÉROS”, DE DOUGLAS ATTAL: Se a Marvel e a DC podem faturar milhões explorando o universo dos vigilantes mascarados, por que o cinema francês não pode tirar uma casquinha deste filão também? Aqui, uma dupla de policiais vai investigar o uso de uma droga que garantes superpoderes a seus usuários.
“LES DISCURS”, DE LAURENT TIRARD: Encarada como um candidato a blockbuster na Europa, a nova comédia do realizador de “O Pequeno Nicolau” (2009) acompanha os dilemas de Adrien (Benjamin Lavernhe) em meio a uma reunião familiar. A habilidade do cineasta para extrair humor das situações mais corriqueiras do dia a dia faz do filme um combistível aditivado para a comédia.

Mahamat-Saleh Haroun volta à direção com o drama “Lingui”

“A VIAGEM DE PEDRO”, DE LAÍS BODANZKY: A aclamada realizadora de “Como Nossos Pais” (2017) retorna à direção numa trama protagonizada por Cauã Reymond, que se passa em uma viagem de barco, da volta do D. Pedro I para a Europa. Ele sai praticamente expulso do Brasil, durante uma grande crise política e pessoal. A viagem se passa nesse barco, mergulhando nesse universo interior dele. É, segundo disse a diretora, em setembro, ao site C7nema, “um filme de personagem, que fala muito mais do Pedro do que exatamente do D. Pedro I”.
“PETITE FLEUR”, DE SANTIAGO MITRE: No novo filme do realizador de “Paulina”, a sensação da Semana da Crítica de Cannes em 2015 Daniel Hendler vive um sujeito obcecado com a ideia de que seu vizinho é um inimigo, optando por assassiná-lo. O problema é que este renasce a cada dia, misteriosamente.
“MEMÓRIA”, DE APICHATPONG WEERASETHAKUL: Onze anos após a conquista da Palma de Ouro com seu metafísico “Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” (2010), o maior poeta do cinema tailandês volta às telas com um elenco multinacional (Tilda Swinton, Jeanne Balibar, Daniel Giménez Cacho), numa trama sobre as camadas sensoriais da nossa relação com o mistério da existência. No enredo, Tilda é uma escocesa que, em viagem pela Colômbia, começa a perceber estranhos sons, que lhe convidam a novas percepções de sua realidade. Mas que sons são esses e como eles desafiam sua lucidez?

p.s.: Às 15h, a “Sessão da Tarde” da Globo aposta no riso, ou melhor, no terrir, com “Hotel Transilvânia 2” (2015), dirigido pelo russo Genndy Tartakovsky. Adam Sandler é o produtor dessa franquia animada e encarna o Conde Drácula, aqui dedicado a ser avô de um potencial vampiro. No Brasil, Alexandre Moreno dubla Sandler.

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