‘Aos pedaços’: Ruy Guerra em ação

‘Aos pedaços’: Ruy Guerra em ação

Rodrigo Fonseca

11 de abril de 2019 | 11h39

Imagens de Simone Spoladore e Chris Ubach, as Anas de “Aos Pedaços”, no set de Cataguases (foto do site do Polo do Audiovisual da Zona da Mata, MG)

Rodrigo Fonseca
Baseado num enredo originalmente concebido como romance, mas transformado em roteiro de longa-metragem, “Aos pedaços” é o título do novo filme do aclamado Ruy Guerra, rodado em Cataguases (MG) e em Maricá (RJ), cuja finalização vai terminar em junho, quando acaba sua mixagem de som. Escrito pelo realizador de “Os cafajestes” (1962) em parceria com Luciana Mazzotti, o filme aborda a relação de paranoia de homem que vive secretamente com duas mulheres, ambas chamadas Ana, em países diferentes mas em casas idênticas, separadas por um oceano. Sua paz acaba quando ele recebe um bilhete com uma ameaça, assinado A., o que deflagra uma suspeita sobre seus dois amores. As atrizes Simone Spoladore e Chris Ubach vivem as Anas. Emílio de Melo é o marido bígamo e Júlio Adrião vive seu conselheiro (ou seria um alter ego?). Pablo Baião assina a fotografia do longa. Ele e Guerra fizeram o premiado “Quase memória” (2015) juntos.

“Não sou bom em definições, mas posso afirmar que não é uma comédia e que há nessa trama um trabalho sobre o tempo, seja ele o tempo real ou o tempo psicológico”, diz Guerra, um dos pilares do Cinema Novo brasileiro, que nasceu em Moçambique, sob ascendência portuguesa. “O personagem aqui crê que uma de suas mulheres o quer matar, o que deflagra o drama”.

O diretor de “Os Fuzis” (foto Daniel Teixeira)

Há diferenças entre a narrativa de “Aos pedaços” e os escritos de “Palavras queimadas”, um projeto de livro que Guerra iniciou, mas interrompeu pela metade, transformando o que há de melhor em sua premissa em script, em dobradinha com Luciana. “O roteiro está diferente da primeira metade que escrevi. Talvez volte ao livro. Estou agora transformando um roteiro já pronto há tempos, ‘O tempo à faca’, em romance”, diz o diretor.

Para o primeiro semestre de 2020, Guerra promete voltar ao universo de “Os fuzis” (1964) e “A queda” (1978), pelo qual ganhou um par de Ursos de Prata no Festival de Berlim. O projeto se chamava “3×4”, depois virou “A fúria”, mas pode mudar de nome. “Era um filme baseado na personagem vivida pelo Nelson Xavier, que morreu. Agora preciso repensar. Quando fechar o ‘Aos pedaços’, eu vou reescrever o roteiro”, diz Guerra. “Vou partir do zero e fechar a trilogia”.

p.s.: Ícone da rebeldia global na contracultura da década de 1960, “Easy Rider – Sem destino” (1969) completa 50 anos em 2019 e se cogita uma homenagem a ele no 72º Festival de Cannes (14 a 25 de maio), com a presença de Peter Fonda e Jack Nicholson.

p.s.2: Neste domingo, às 23h10, no “Domingo Maior”, a Rede Globo exibe “Sniper americano” (2014), maior sucesso de bilheteria de Clint Eastwood, que custou US$ 58 milhões e arrecadou US$ 547 milhões. Bradley Cooper é o protagonista, numa atuação memorável.

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