Any Malu, um combo de alegria no Cartoon

Any Malu, um combo de alegria no Cartoon

Rodrigo Fonseca

18 de julho de 2019 | 19h39

Rodrigo Fonseca
Muito se conversa sobre o futuro do negócio série de TV/ seriado de streamings nos papos de corredor do 27º Anima Mundi, iniciado ontem no RJ, e mesmo nas palestras oficiais do setor de mercado do festival, o Anima Mundi, com destaque para a sinergia entre produtoras de todo país e os canais brasileiros, abertos e a cabo. Uma das vedetes desse papo é a Tatá Werneck da animação verde e amarela: a youtuber virtual Any Malu. Estamos diante de uma estrela com E maiúsculo (em bold e itálico) na www, que, a partir de 2020, vai brilhar também no Cartoon Network. Batizada com nome de nobre, Anita Maria de Lourdes Orleans e Bragança, ela vingou no gosto de uma horda de internautas como Any Malu, alcunhada de “a primeira Digital Influencer dos desenhos animados” do Brasil. Na prática (quer dizer, na ficção), ela é uma moleca de 18 anos, embora tenha nascido no dia 12 de agosto de 2015 em Pato Brabo, a Cidade dos Desenhos, e seu signo é Unicórnio. No mundo da gente, de carne, osso e barriguinha pochete, Any Malu já soma cerca de 2,5 milhões de inscritos no YouTube e mais de 170 milhões de visualizações. Por trás dela está Marcelo Pereira, um dos fundadores e diretor executivo do Combo Estúdio, produtora de animação criada em 2015, que tem em seu portfólio a série original Netflix “Super Drags”. Na esteira do êxito da personagem, o Combo bolou “O (sur)real Mundo de Any Malu”. Em março deste ano, o Cartoon anunciou a “contratação” da Any Malu para ter um programa especial e só dela no canal. Mas a youtuber já fez sua estreia na TV, na emissora, com um compilado dos melhores vídeos do seu canal. Já, já, esses conteúdos chegam também aos demais países da América Latina onde o CN é exibido.

Eis o que Marcelo tem a dizer de sua cria:

Qual é o desafio de se investir no universo dos youtubers? Que tipo de Youtuber é Any Malu?
Marcelo Pereira: Existe uma série de desafios, na verdade. Hoje o Youtube conta com um quantidade enorme de canais e influenciadores. Então, entre as maiores dificuldades está se tornar relevante nesse universo, e, uma vez passada a novidade, manter-se relevante. A Any Malu é uma youtuber animada, e explora justamente esse universo, fazendo coisas que apenas um desenho animado poderia fazer.

Como se mantém um estúdio como Combo no atual contexto da animação nacional? Como dimensionar e sustentar um trabalho em estúdio numa economia como a nossa?
Marcelo Pereira: Não é fácil, mas o foco do Combo sempre foi de tentar não depender exclusivamente do mercado nacional. Por conta disso, temos trabalhado e atuado em diferentes mercados.

Como é a dinâmica de parceria entre a Combo e o Cartoon?
Marcelo Pereira: Estamos produzindo uma série que exige bastante participação do Cartoon. Compartilhamos as ideias ainda no estágio inicial, fazemos apresentações de episódios e vamos produzindo junto com a colaboração do time criativo do Cartoon. Esse processo tem se mostrado não só eficiente, mas muito divertido.

Marcelo Pereira, o pai de Any Malu: colóquios no Anima Mundi

De que maneira a palestra do Anima Mundi pode oxigenar o contexto da produção de séries do país a partir da relação entre produtoras independentes e canais a cabo?
Marcelo Pereira: Espero poder passar um pouco da nossa experiência na produção de conteúdo digital e como esse processo foi essencial para darmos início à nossa parceria com canais e networks. Mesmo com as plataformas digitais sendo populares na atualidade, ainda existe muita dúvida em como e por que produzir animações pra esse mercado. Espero poder esclarecer algumas dessas dúvidas, dentro da minha capacidade.

Quais são suas apostas para o Anima Mundi?
Marcelo Pereira: Esse Anima Mundi vai ser muito especial. Só está acontecendo graças a um esforço conjunto da comunidade de produtores e admiradores de animação. Estou bastante animado com essa edição, e quero assistir principalmente aos curtas produzidos no Brasil, que sempre impressionam pela inovação.

Tem 300 filmes de 40 países no Anima Mundi 2019. Para quem gosta de filme policial, a pedida nacional obrigatória do evento é “Contra-filé”, de Pedro Iuá. Neste thriller com bonecos de resina, um homem ligado ao crime luta para sobreviver à perseguição do submundo, encontrando num açougue  uma possível saída para seus problemas. Diálogos hilários se alternam com situações de extrema tensão, numa narrativa policial com ecos de clássicos do cinema noir. Vale ainda uma espiadela em “Apneia”, de Carol Sakura e Walkir Fernandes, do Paraná. Com uma sutileza singular, este mergulho existencial nos traumas de infância tangência fantasmas de abusos, partindo de uma relação mãe e filha.

Confira a seguir a grade exibidora do Anima Mundi:

Rio de Janeiro: de 17 a 21 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil (R. Primeiro de Março, 66 – Centro) e Estação Net Botafogo (R. Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo);

São Paulo: de 24 a 28 de julho, no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista), Petra Belas Artes (R. da Consolação, 2423 – Consolação), IMS Paulista (Av. Paulista, 2424 – Consolação) e Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana).

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