Animação para os 120 anos de Buñuel

Animação para os 120 anos de Buñuel

Rodrigo Fonseca

25 de setembro de 2019 | 09h10


RODRIGO FONSECA
Entusiasmados com as comemorações dos 120 anos de Luis Buñuel (1900-1983), maior pilar do surrealismo nas telas, o cinema espanhol começa a preparar uma série de eventos e de publicações para festejar o diretor de “A bela da tarde” (1967), mas já antecipou a celebração para pegar carona no 67º Festival de San Sebastián, que termina neste sábado. Esta noite, às 23h, a maior mostra audiovisual da Espanha vai projetar o desenho animado “Buñuel en el laberinto de las tortugas”, longa-metragem inspirado na HQ homônima de Fermín Solis. Sua trama relembra o quanto Luis enfrentou intolerâncias, das mais diversas ordens, para seguir filmando, após uma onda de repressão relativa ao lançamento de “A Idade do Ouro”, em 1930. A ironia deste filme de juventude do mestre aragonês despertou uma torrente de ódio que quase embotou sua carreira. Sua luta para se manter por trás das câmeras, dirigindo o mítico “Terra sem pão” (“Las Hurdes”, 1933), virou a argamassa da (já aclamada) animação dirigida por Salvador Simó. Um concorrido técnico de efeitos especiais de Hollywood, com filmes como “Mogli, o Menino Lobo” (2016) no currículo, Simó ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Annecy (a Cannes do setor), em 2018, além de uma láurea de melhor trilha sonora, por sua imersão nas memórias buñuelianas. Na trama animada por Simó, com base nos desenhos de Solis, o mítico cineasta é alvo de ataques da imprensa ao ser encarado como um herege o que prejudica seu trabalho. Quando um amigo, artista plástico, ganha uma bolada na loteria, o cineasta recorre ao dinheiro do colega para voltar a rodar, indo para os confins mais miseráveis da Espanha a fim de retratar uma população em luta com a pobreza. No Brasil, a produção de Simó foi exibida no Anima Mundi, em julho. Cogita-se que a passagem por San Sebastián vá aumentar as chances de o filme dele ir para o Oscar, concorrendo contra Pixar, Dreamworks & cia.

Falando em Espanha…
Longa de estreia da ex-aluna da Escuela de San Antonio de Los Banos, de Cuba, a barcelonense Belén Funes, o drama “La Hija De Un Ladrón”, em competição, cozinha todos pontos e vírgulas do folhetim. E esse seu cozido é servido com um tempero seco, quase documental, em ritmo de garoa, apoiado numa entrega visceral da jovem atriz Greta Fernández. Ela contracena com seu pai na vida real, o ator Manuel Fernández. Os dois vivem pai e filha, atomizados por um passado de descasos (por parte dela) e por um presente marcado por disputas judiciais.

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