‘Altas Expectativas’ de amor pr’esta noite

‘Altas Expectativas’ de amor pr’esta noite

Rodrigo Fonseca

21 de março de 2020 | 11h03

No amor, nenhuma semana é uma semana qualquer, pois elas sempre carregam “Altas Expectativas”: estas tem Gigante Leo e Camila Márdila, e as suas?

Rodrigo Fonseca
Se estiver em busca de um programa pra se ver juntinho, em casalzinho, de mãos dadas, na TV, nesta noite de quarentena, uma boa opção está no “Supercine”, a tradicional sessão de cinema dos sábados na TV Globo, em que será exibido “Altas Expectativas”, chicletinho sabor menta de Alvaro Campos e Pedro Antônio Paes. Passa à 0h35 na TV aberta. É difícil conter os supiros diante dos olhos com que Gigante Leo olha para Camila Márdila em cena, na construção de uma love story que a moral do mundo tanta sabotar o querer a cada minuto. É daqueles filmes aos quais a gente se agarra a cada segundo, esperando que passe beeeeeeem devagar, como um encontro de fim de semana como mão na mão. A fotografia de Julio Constantini, num equilíbrio singular de cores, é um mimo a mais, assim como a direção de arte de Dany Espinelli. O planisfério cinéfilo tomou esse filme na veia, pela primeira vez, durante o 41º Festival de Montreal, no Canadá, na seção Focus On World Cinema. Em sua trama, nenhuma semana é como “uma semana qualquer” para Décio, um tímido (porém vitorioso) treinador de cavalos do Jockey Club do Rio de Janeiro. Em sua luta para driblar preconceitos silenciosos, relativos à sua altura, Décio fica doido de amores por Lena, uma jovem artista plástica melancólica que acaba de herdar um pequeno café no mesmo espaço. O papel arranca de Camila uma luminosa atuação, que, no jogo cênico com seu coprotagonista, amplia o ar doído de solidão que ronda rotinas alquebradas pelos azedumes da Vida. Na azeitada forma com que Álvaro e Pedro Antônio enquadram esse romance, todos os interditos da desatenção desfilam em cena, mas sem esmorecer o empenho de um herói improvável para buscar o que deseja: o sorriso de sua princesa.

Autor de HQs como “A Corporação” e (a obrigatória) “O Outro Lado da Bola” e também cineasta, disse à época de Montreal que ele e Pedro Antônio apostaram “numa reversão do ideal do herói romântico pop: sai o galã bonitinho, que seria objeto aspiracional pro público, em muito graças a seu visual, e entra em seu lugar uma pessoa com limitações físicas”. Segundo os cineastas, Décio, defendido com mel por Gigante Leo, é alguém que deve criar empatia a partir de diversos elementos para além da questão visual/física. Eis aqui um programão pra se sabadar com desejo e carinhos.

p.s.: Tem “Faça a Coisa Certa” (“Do The Right Thing”, 1989) esta noite, às 22h, no Telecine Cult, numa revisão crítica da obra de Spike Lee. Tem ainda “Infiltrado na Klan” (2018) na sequência.

p.s. 2: A Band vai resgatar, a partir deste domingo, seriados clássicos da sci-fi japonesa dos anos 1980, como “Changeman” e “Jaspion”, dando um sabor de nostalgia a estes dias de necessária quarentena em função do Coronavírus.

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