Alta expectativa por Sofia Coppola em Cannes

Alta expectativa por Sofia Coppola em Cannes

Rodrigo Fonseca

24 Maio 2017 | 02h49

Colin Farrel e Elle Fanning na versão anos 2010 do romance de Thomas Cullinan

RODRIGO FONSECA
Entre todos os títulos em concurso pela Palma de Ouro deste ano, nenhum chega cercado de mais controvérsia do que O Estranho Que Nós Amamos (The Beguiled), de Sofia Coppola, com sessão na Croisette nesta quarta. A controvérsia vem não apenas pelo lado alegórico que aporta à discussão do feminismo e do empoderamento das mulheres, mas por ser uma releitura de uma trama que já rendeu, nas mãos do mestre Don Siegel, uma obra-prima maldita. Amaldiçoada nas bilheterias, mas cultuada entre os críticos e os fãs de Clint Eastwood, que nos dá ali um de seus melhores desempenhos como ator. A base de ambos os filmes é o romance homônimo de Thomas Cullinan sobre os bastidores (e as sequelas morais) da Guerra de Secessão, que chegou a ser encarado até como comédia ou como comédia romântica, por sua ironia e por seu olhar sobre o desejo. Um soldado ianque aparece ferido na porta de um colégio sulista só para moças e, lá, vai ser alvo de disputas, revelando tiranias, recalques e amores. Colin Farel encara o papel central agora, ao lado de Nicole Kidman, Elle Fanning e Kirsten Dunst. Daqui a alguns minutos Cannes saberá se a realizadora do sagrado Encontros e Desencontros (2003) acertou ou não. Tomara que sim. Apostamos que sim… e apostamos até que ele leve a Palma de Ouro. Veremos agora, no Palais des Festivals.