Alô, Silvio: 50 anos de Tendler na tela

Alô, Silvio: 50 anos de Tendler na tela

Rodrigo Fonseca

12 de setembro de 2019 | 18h54


RODRIGO FONSECA
Professor responsável pela formação de cabeças que iluminaram as telas brasileiras ao longo de três décadas, o diretor Silvio Tendler, papa do documentário histórico no cinema brasileiro, está comemorando 50 anos de serviços prestados ao audiovisual, numa trajetória de sucessos de bilheteria sem rivais, em seu país, na seara do Real. Premiado por longas-metragens como “Dedo na ferida” (2017), ele lotou salas nos idos dos 1980 com “Jango” (1984) e “Anos JK” (1980), êxitos de público e crítico sobre os quais o realizador de 69 anos vai comentar em um par de eventos no Rio de Janeiro. Neste sábado, às 19h, ele analisa sua travessia pelo circuito exibidor e pela TV em um bate-papo na mostra Ecofalante no CCBB-RJ. Antes da conversa, o Centro Cultural Banco do Brasil exibe um par de filmes do cineasta: “Utopia e barbárie”, às 15h; e “O fio da meada”, às 17h30. Nesta segunda-feira, às 20h, é a vez da Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) festejar o aniversário de carreira de Tendler. Na ocasião, haverá uma sessão especial de um longa ainda inédito dele, “Ferreira Gullar – Arqueologia do Poeta” (2019). Wagner Tiso, Letícia Sabatella e Zelito Vianna prestarão homenagens ao artesão documental em que ele se transformou.

Tendler está em cartaz em circuito com uma releitura em forma de investigação jorgralesca do livro “A alma imoral”, do rabino Nilton Bonder. É um ensaio crítico sobre as manifestações do espírito humano, sobre a desinência moral dos verbos “tentar”, “errar” e “resistir”, que trafega pela cultura judaica mais sai em busca de um olhar universal sobre fé, sobre governança, sobre perseverança. Os textos que servem de argamassa para o filme renderam, antes, uma peça que lotou teatros em todo o Brasil, com a atriz Clarice Niskier em estado de graça nos palcos.

No papo a seguir, com o P de Pop, ele passa em revista sua trajetória nas telas.
Qual é o Brasil que se desvela ao longo de seus 50 anos de carreira como diretor?
Vários Brasis que se transformaram em função das circunstâncias e conjunturas conjuntura nas quais foram produzidos. Filmes e autores são condicionados pela época em que estão trabalhando. Cinquenta anos muda muita coisa….
Sua estética, em prol da História, alterna biografias com investigações geopolíticas de escopo global. O quanto essa alternância depurou sua narrativa? Qual é a base de sua estética?
Cada filme é um filme. E estética de filme é mutante assim como o autor. Entre “Jango” e “Milton Santos” existe uma longa caminhada, extremamente prazerosa que só o documentário é capaz de nos dar.

Que lugar o formato documental ocupa hoje em sua obra?

Total. Só me encontro no documentário. Quem sabe no futuro…
O que o processo de pesquisa sobre Ferreira Gullar revelou sobre a poesia brasileira e sobre a relação entre arte e política no país?
A superação dos preconceitos e a inexistência de uma relação mecânica entre arte e política. Veja o “Arqueologia do Poeta” e redescubra… o poeta.
Que próximas imagens/ narrativas esperar de você?
Aguarde “Carlos Zéfiro” e descobrirás o pornógrafo.
Qual é a base de sua estética?
A curiosidade.
O que o documentário representou como linguagem de formação em seus primeiros anos como diretor?
Representa até hoje muito: sou um documentarista full time.

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