Aliança Francesa à moda curta, via Sesc

Aliança Francesa à moda curta, via Sesc

Rodrigo Fonseca

20 de julho de 2021 | 12h33

“O Amor Existe” (“L’Amour existe”, 1961), de Maurice Pialat

Rodrigo Fonseca
Merece uma Palma de Ouro… ou, no mínimo, um troféu César… a mostra que entra em cartaz a partir deste 21 de julho, esta quarta-feira, no https://sesc.digital/colecao/curta-em-frances. Estarão por lá pílulas de invenção como “Escola de Carteiros” (“L’école des facteurs”, 1947), de Jacques Tati, e de “O Amor Existe” (“L’Amour existe”, 1961), de Maurice Pialat, além do magistral “Correspondance privée sur un lieu public” (1988), de Jeanne Labrune. Elas são as joias de outrora da mostra Curta em Francês – Espèces d’Espaces, organizada pela Aliança Francesa Brasil, em parceria com o SESC São Paulo. Sua programação, gratuita, pode ser acompanhada pela plataforma do Sesc Digital, com 13 curtas sobre a temática da arquitetura, urbanismo e desenvolvimento territorial em diferentes direções. Entre os títulos mais recentes, confira “Edgar Morin, un penseur à Paris” (2019), de Momoko Seto, a animação “Roues-libres” (2017), de Jacinthe Folon, e a ficção “Gagarine” (2015), de Fanny Liatard e Jérémy Trouilh, que inspirou o longa-metragem “Edifício Gagarine” (2020), da mesma dupla, em exibição nesta terça no Festival do Rio 2021, via www.telecine.com.br.

“Roues-libres” (2017), de Jacinthe Folon

Na entrevista a seguir, Quentin Richard, coordenador cultural da rede das Alianças Francesas, conversa com o P de Pop sobre essa retrospectiva obrigatória pra cinefilia.
Qual é a relevância estratégica do curta-metragem no projeto de ocupação de telas do cinema francês, pelo mundo, para além da óbvia dimensão de prática formativa que o formato costuma ter?
Quentin Richard:
É importante lembrar que o curta-metragem, para o setor audiovisual, é uma incubadora reveladora de talentos e representa uma etapa importante na carreira de muitos profissionais. O curta-metragem é, antes de tudo, uma “escola de cinema” para refinar habilidades, inventar novas formas estéticas, encontrar seu estilo com novas narrativas e linguagens cinematográficas. É, ao mesmo tempo, um espaço de liberdade que permite que diretoras e diretores talentosos continuem a se revelar e a promover o formato do curta como uma arte por direito próprio.
De que maneira o formato curta-metragem pode se beneficiar do dispositivo de entretenimento que as plataformas de streaming hoje representam?
Quentin Richard:
As plataformas de streaming permitem atingir um público maior e mais diverso. Podem ser um grande trunfo para ajudar a difundir o formato curto mais amplamente, pois correspondem também aos nossos modos de viver hoje, numa sociedade de “zapping”, na qual sempre temos menos tempo, e temos a tendência a “aproveitar” a cultura à distância… a qualquer momento, ainda mais neste período de crise sanitária. Apesar de toda a importância e das vantagens proporcionadas pela exibição online, continuo a acreditar… e a defender…, em primeiro lugar, uma exibição em cinemas, em festivais que se beneficiam da mediação, do contato com o público e de encontros mais próximos e estreitos com os criadores.
Como foi feito o desenho curatorial da mostra?
Quentin Richard:
O projeto curatorial da Mostra Curta em Francês “Espécies de espaços” foi definido de forma a evidenciar uma diversidade de temas, contextos sociais e arquitetônicos, permitindo-nos escapar (para outras realidades) e trazer um pouco de poesia neste período.
Um cuidado especial foi adotado para garantir um diálogo entre os talentos de ontem e de hoje, com o cinema contemporâneo e o cinema patrimonial (destacando, por exemplo, Jacques Tati, Maurice Pialat, Jeanne Labrune). O título da série “Espèces d´espaces” (em português, “Espécies de espaços”), é uma referência à obra de Georges Perec. O autor Georges Perec, tal como essa programação de curta-metragens, decidiu focar na poética dos espaços que nos rodeiam. A arquitetura e o urbanismo nos permitem reconsiderar os lugares nos quais moramos e o vínculo entre a trajetória pessoal, íntima, e os espaços. Os filmes contam a cidade com um olhar documental, histórico, romântico, político ou até alternativo.

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