Alessandra Negrini brinca de Goldie Hawn em ‘Mulheres Alteradas’

Alessandra Negrini brinca de Goldie Hawn em ‘Mulheres Alteradas’

Rodrigo Fonseca

06 Julho 2018 | 10h18

Rodrigo Fonseca
Fã de um chicote no trato com empregados e com seus crushs casuais de alcova, Marinati, advogada esculpida a gás hélio por Alessandra Negrini no recém-lançado “Mulheres Alteradas”, é um ímã de risadas e um transistor de debates acerca do empoderamento. Sua visão de mundo é, aum só tempo, refratária à fragilidade e apegada a valores afetivos. Seu chefe (Mario Gomes, ótimo) e sua amiga de juventude (Monica Iozzi, etérea em uma atuação no vértice do drama) quebram os cubos de gelo em suas veias nesta narrativa de crônica de costumes decalcada dos quadrinhos de Maitena. Há um elenco possante. E há, na direção de Luis Pinheiro, a opção por planos incomuns ao filão, guiados pelo requinte, como o longo plano-sequência de Iozzi e Maria Casadevall (em inflamada e luminosa atuação) a papearem num carro. Deborah Secco, em traços de Mondigliani, dá ternura à trama. Mas o mais potente elemento desse jogo de armar é LaNegrini.
No ar na TV em ‘Orgulho e paixão’, na TV Globo, Alessandra dá a Marineti um toque de Goldie Hawn, com um humor plástico, de expressões faciais cartunescas. Ela ajuda “Mulheres Alteradas” a gravitar no registro do riso mesmo em seus momentos de dor. Há um olhar torto dos homens. Mas há um rico enfoque das angústias de suas protagonistas. É sempre uma surpresa ver o quão bem Alessandra se adequa às mais variadas exigências do cinema, brilhando no universo semiológico de Julio Bressane (em “Beduíno”, ela dá um show) ou numa versão de HQs pras telas, passando pelo “Abismo Prateado” de Karim Aïnouz. Grande atriz.