Alegrias e surpresas a granel no Globo de Ouro

Alegrias e surpresas a granel no Globo de Ouro

Rodrigo Fonseca

09 Janeiro 2017 | 02h44

“Moonlight – Sob a Luz do Luar”: melhor drama

RODRIGO FONSECA
Esnobado nas maiores premiações do cinema do mundo, Sylvester Stallone recebeu da Hollywood Foreign Press Association o reconhecimento que merecia há décadas, por sua dimensão mítica, ao ser incumbido para anunciar, na noite de domingo, – ao lado de seu colega de Rocky, um Lutador, Carl Weathers – o vencedor do troféu de melhor filme de drama na festa de 2017 do Globo de Ouro: e a vitória ficou com Moonlight – Sob a Luz do Luar. Centrado no calvário social e sexual de um jovem negro criado em meio à pobreza que encontra uma paz para seu coração na homoafetividade, o longa-metragem de Barry Jenkins, produzido por Brad Pitt, simbolizou uma conquista ética na luta pelas causas raciais na indústria audiovisual – tendo um peso expressivo ainda nas batalhas pelos direitos LGBT. E era – disparadamente – o filme mais vigoroso entre todos os concorrentes. Só não foi o mais laureado: este posto coube ao ganhador da seara das comédias/musicais, o lúdico (e encantador) La La Land: Cantando Estações, vencedor em sete categorias: filme, atriz (Emma Stone), ator (Ryan Gosling), direção e roteiro para Damien Chazelle; trilha sonora e canção (City of Stars). Tudo foi merecido e justo, mas teve mais… e melhor.

“La La Land”: sete estatuetas na noite de domingo

Contrariando a torcida em prol de Natalie Portman, em Jackie, a francesa Isabelle Huppert foi premiada como melhor atriz dramática por Elle, contemplado ainda com o troféu de filme estrangeiro nº 1 do ano. Que Isabelle merecia isso há tempos, não havia nenhuma dúvida. Mas o mais saboroso desse resultado foi ver o diretor holandês Paul Verhoeven, aos 78 anos, ser enfim consagrado como mestre, após ter sido esnobado por Hollywood em decorrência do fracasso do antológico Showgirls, em 1995. A partir do dia 9 de fevereiro, Verhoeven assume o posto de presidente do júri do Festival de Berlim. E no dia 18 deste mês o longa que ele e Isabelle fizeram a dois passa no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, na mostra anual da Associação de Críticos de Cinema cariocas, a ACC-RJ.     

“Elle”: melhor atriz para Isabelle Huppert

Igualmente inesperada – e justa – foi a consagração da prosopopeia Zootopia como melhor animação, levando a Disney aos louros da glória por um filme infanto-juvenil de dramaturgia sofisticada. Falando em sofisticação este é o sinônimo de Manchester à Beira-Mar, que valeu a um apático Casey Affleck o troféu de melhor ator. Sua apatia no palco contrasta com sua devastadora composição nas telas.

E, por fim, vale uma salva de palmas para o trabalho curto, grosso mas inteligente de Jimmy Fallon como apresentador, substituindo o agressivo Ricky Gervais. Agora falta o Oscar, cujos concorrentes serão anunciados no dia 24 de janeiro, estando sua cerimônia anual de entrega de láureas marcada para 26 de fevereiro.

Os Vencedores

Drama

Filme: Moonlight – Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins

Atriz: Isabelle Huppert (Elle)

Ator: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

 

Comédia/musical
Filme: La La Land – Cantando Estações

Atriz: Emma Stone (La La Land – Cantando Estações)

Ator: Ryan Gosling (La La Land – Cantando Estações)
Diretor: Damien Chazelle (La La Land – Cantando Estações)
Atriz Coadjuvante: Viola Davis (Cercas)

Ator Coadjuvante: Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)

Roteiro: La La Land: Cantando Estações

Trilha Sonora: La La Land – Cantando Estações

Canção: City of Stars, de La La Land – Cantando Estações

Animação: Zootopia, de Byron Howard, Rich Moore e Jared Bush

Filme estrangeiro: Elle, de Paul Verhoeven